Manaus | 4 de junho de 2026 | 07:30:51

Hospital do Sangue entra na fase de “ajuste fino” para abrir as portas no Amazonas

Foto: Tiago Corrêa/Secom

Manaus – AM. O que por anos foi um esqueleto de concreto e uma promessa de esperança para milhares de pacientes hematológicos do Amazonas está, finalmente, nos detalhes finais para ganhar vida. O novo Hospital do Sangue Idenir de Araújo Rodrigues entrou nesta semana na fase crítica de “ajuste fino”, um checklist rigoroso que vai desde a calibração de equipamentos de ponta até o acolhimento das famílias que acompanham a obra há décadas.

Nesta quinta-feira (12/03), o cenário dentro da unidade não era apenas de técnicos testando sistemas. Representantes de associações de pacientes e familiares de pessoas em tratamento onco-hematológico foram convidados a percorrer os corredores do que será o segundo maior hospital do estado. A estratégia da Secretaria de Saúde (SES-AM) é humanizar a transição: antes do primeiro paciente ser internado, quem vive a rotina da doença precisa confiar na estrutura.

O fim da “rota da sobrevivência”

Para muitos pacientes do Amazonas, o tratamento de doenças graves do sangue costumava significar malas prontas e passagens para o Sul ou Sudeste via Tratamento Fora de Domicílio (TFD). Márcia Gomes, moradora de Tabatinga, conhece bem essa realidade. Há oito anos, ela precisou levar o filho para um transplante de medula em São Paulo.

“É um momento inédito. Ter essa estrutura ‘nova em folha’ e profissionais qualificados aqui dentro significa que vamos salvar vidas sem o desgaste do deslocamento forçado”, afirma Márcia.

O novo hospital nasce com a missão de absorver essa demanda, oferecendo tecnologia que antes só era acessível em grandes centros privados ou em outros estados.

Vigilância e Transparência

Ciente do histórico de grandes obras públicas, a SES-AM adotou uma postura de “portas abertas” com os órgãos de controle. Um checklist detalhado das etapas concluídas foi entregue ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM). A ideia é garantir que a inauguração não seja apenas um evento político, mas uma entrega com 100% de segurança operacional e sistemas validados.

O que muda na prática?

O Hospital do Sangue será integrado à Fundação Hemoam e trará diferenciais que vão além da medicina de alta complexidade:

Humanização: Espaços de convivência e brinquedotecas projetadas para que o tratamento infantil seja menos traumático.

Capacidade: Ampliação drástica do número de leitos e capacidade de exames especializados.

Autonomia: O Amazonas passa a ser referência nacional em hematologia, com estrutura para realizar procedimentos que hoje dependem de convênios externos.

Com os últimos testes de equipamentos em andamento e a equipe de novos servidores em fase de integração, a unidade entra na contagem regressiva. Para pacientes como João Bitty, da Associação dos Hemofílicos, que frequenta o Hemoam há décadas, a sensação é de linha de chegada. “É a realização de um sonho que traz esperança de avanços em medicação e acolhimento”, resume.

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