Manaus | 23 de julho de 2026 | 16:15:21

Fundadora do “Tinder para Mães” traz seu App para o Brasil

Quando Michelle Kennedy teve seu primeiro filho, percebeu que não tinha amigas passando pela mesma experiência e precisou buscar conselhos na internet. Era 2017, e já existiam aplicativos para tudo — transporte, compartilhamento de fotos e relacionamentos amorosos —, mas nada voltado especificamente para a maternidade.

A realidade que encontrou online não condizia com sua experiência como mulher e executiva. Kennedy era líder no aplicativo de namoro Badoo, avaliado em bilhões de dólares, e membro do conselho do Bumble. “Durante o dia, eu trabalhava com produtos inovadores, e à noite, ficava rolando a internet em busca de conselhos sobre maternidade”, conta. “Parecia totalmente errado, e eu precisava mudar isso.” Assim nasceu a Peanut, rede social desenvolvida para conectar mães e mulheres em diferentes fases da vida.

Como funciona o Peanut

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O Peanut usa um algoritmo que conecta usuárias com base em localização e interesses, como estágio da vida materna e amigas em comum. Inicialmente lançado para mulheres grávidas, o app se expandiu para atender usuárias em várias etapas da vida, incluindo aquelas que estão na menopausa.

O funcionamento é semelhante ao de aplicativos de relacionamento: usuárias podem se conectar enviando um “aceno” e, caso haja correspondência, começar uma conversa. A plataforma também oferece grupos temáticos, debates ao vivo em áudio com especialistas e espaços para troca de experiências sobre temas como sexo pós-parto, sinais de trabalho de parto, mudanças no corpo e saúde mental.

Em 2024, a rede registrou mais de 80 milhões de acenos, 8 milhões de conexões e 60 milhões de mensagens trocadas. Nos EUA e no México, usuárias passam até uma hora por dia no app, criando em média sete novas amizades na primeira semana. Segundo a empresa, 98% delas se sentem mais seguras e apoiadas na plataforma do que em grupos de WhatsApp de mães.

Entre os recursos mais recentes está o Peanut Track, ferramenta que acompanha a gestação com base em sete anos de dados coletados. Utilizando inteligência artificial, ele antecipa dúvidas comuns e oferece informações sobre bem-estar, comparação do tamanho do bebê com frutas e lista os sintomas mais comuns de cada fase. O recurso também conecta mulheres que estão no mesmo período gestacional.

A chegada ao Brasil

Antes de lançar o app no Brasil, a equipe da Peanut analisou o mercado com a ajuda de usuárias que testaram a plataforma, garantindo que a linguagem e as estratégias de marketing fossem adaptadas ao público brasileiro. “Sabemos o quanto as mulheres brasileiras valorizam o que estamos trazendo, com base nas pesquisas que fizemos para entender como apoiá-las”, explica Kennedy.

Para muitas brasileiras, os desafios da maternidade ainda são um tabu, contribuindo para sentimentos de solidão, isolamento e depressão. “As mulheres precisam de comunidade, apoio e expertise, e estamos animadas para trazer isso ao Brasil”, afirma a CEO. O lançamento será feito com a equipe global, mas a empresa pretende expandir sua presença no país nos próximos meses.

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