O assassinato de Eduarda Carvalho dos Santos, de apenas 21 anos, com 127 facadas, tem sido considerado um dos mais bárbaros já registrados no município e reacende o alarme para a escalada da violência contra mulheres no Brasil.
O principal suspeito, Lucas Ribeiro Padilha, de 28 anos, conhecido como “Nego”, foi capturado neste domingo (3), quatro dias após o crime. Ele foi encontrado no distrito de Passo Novo, no interior da cidade, durante uma operação da Brigada Militar. Segundo os policiais, ele reagiu à abordagem com uma faca, chegando a ferir um agente. Só foi contido após ser baleado na perna.
O crime ocorreu na residência do casal, no bairro Tancredo Neves, na última quinta-feira (31). O corpo da jovem foi encontrado com perfurações por todo o corpo, em uma cena descrita como “devastadora” por profissionais do Instituto-Geral de Perícias (IGP). O número de golpes é alarmante: 127 facadas, distribuídas por diversas regiões, uma violência que revela um ataque movido por fúria e desprezo absoluto pela vida da vítima.
Um caso que se junta à estatística (e à barbárie)
O feminicídio de Eduarda lembra outros episódios brutais que ganharam repercussão nacional, como o caso da jovem que pegou 61 socos do namorado. Ambos não são exceções: são sintomas de uma realidade que tem se tornado cada vez mais comum no Brasil.
Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que uma mulher é vítima de feminicídio a cada 6 horas no país. E os casos mais recentes revelam uma tendência ainda mais preocupante: o nível de crueldade tem aumentado. Crimes com mutilações, número excessivo de facadas, espancamentos até a morte muitas vezes cometidos dentro da própria casa.
O que falhou e o que falta?
Lucas Padilha, segundo a própria mãe, tem histórico de transtornos mentais e fazia tratamento na APAE de Alegrete durante a infância e adolescência. Nos últimos anos, teria abandonado os remédios e passado a usar drogas. Apesar desse histórico, nada impediu que ele estivesse em liberdade, sem qualquer acompanhamento.
Esse é mais um ponto que revela uma falha sistêmica: falta de acompanhamento psicológico, ausência de políticas públicas para tratamento de saúde mental e negligência com os sinais de risco. No caso de Eduarda, como em tantos outros, o Estado só aparece depois que a vida já foi tirada.
Um problema estrutural
Enquanto crimes brutais como esse seguem se acumulando, cresce também o clamor por mudanças reais: mais investimento em prevenção, proteção de vítimas, campanhas educativas e uma justiça mais ágil e eficaz. Denúncias são fundamentais, sim mas sozinhas não bastam.
Em nota, a Polícia Civil do RS afirmou que o caso será investigado como feminicídio e reforçou o compromisso no combate à violência contra a mulher. Mas o que o país realmente precisa é ir além das notas oficiais.
Eduarda tinha 21 anos. Tinha uma vida inteira pela frente. Agora, entra para uma lista que, infelizmente, não para de crescer.






