A Polícia Civil indiciou a ex-secretária de Bem-Estar Animal de Canoas (RS), o marido dela e a veterinária responsável técnica da pasta por um esquema de eutanásia deliberada de animais atendidos pelo município. A ação criminosa tinha como objetivo, segundo as investigações, reduzir custos da prefeitura com tratamentos e cumprir metas internas relacionadas ao número de procedimentos.
O levantamento policial aponta que 498 animais foram mortos em apenas oito meses, número considerado extremamente elevado. De acordo com os investigadores, tratou-se de uma “matança desmedida”, realizada de forma sistemática e sem justificativas clínicas plausíveis para sacrificar tantos animais.
Para efeito de comparação, ao longo de todo o ano de 2024 — período marcado pela enchente que atingiu o Rio Grande do Sul e ampliou a demanda por resgates — foram registrados 354 animais mortos quando a secretaria estava sob outra gestão.
A polícia afirma que os suspeitos autorizaram e executaram eutanásias sem critérios técnicos, incluindo animais que poderiam ser recuperados com tratamento adequado ou encaminhados para adoção. Além disso, a investigação aponta possível falsificação de laudos e documentos internos para justificar os procedimentos.
Os indiciados poderão responder por crimes previstos na Lei de Maus-Tratos a Animais, além de falsidade ideológica e improbidade administrativa. A prefeitura de Canoas ainda não se pronunciou formalmente sobre o caso.
A Polícia Civil segue apurando se outras pessoas participaram do esquema e se houve benefício financeiro direto na eliminação dos animais.









