O crime brutal que chocou o Distrito Federal ganhou contornos ainda mais dramáticos após o depoimento do principal suspeito. Vinícius de Queiroz, estudante de economia da Universidade de Brasília (UnB), confessou ter assassinado a própria mãe, Maria Elenice de Queiroz, de 61 anos, com uma facada na jugular. Durante o interrogatório, o jovem manteve uma postura fria, sem sinais de culpa.
À delegada plantonista da Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam), Vinícius justificou o ataque alegando um “impulso” causado pelo que chamou de sensibilidade a barulhos. “Nós somos de personalidades diferentes. Ela fala um pouco alto, e eu tenho um pouco de sensibilidade, e acabei atacando ela”, relatou o estudante com naturalidade.
Desejo antigo e sonhos com o crime
Um dos pontos que mais impressionou os investigadores foi a revelação de que o crime já habitava o imaginário do jovem. Ao ser questionado se já havia sentido essa vontade antes, ele admitiu que sim, mas que anteriormente conseguia controlar o ímpeto através de episódios depressivos ou agressividade contra objetos.
“Sonhar, eu já sonhei com isso, sim. É como se eu já tivesse visto isso antes”, afirmou Vinícius ao descrever que a cena do assassinato não era inédita em sua mente.
A delegada plantonista destacou que o suspeito demonstrou total consciência do ato, descrevendo detalhadamente o momento em que atingiu a mãe. O caso segue sob investigação da Polícia Civil, que deve solicitar exames psicológicos para avaliar o estado mental do estudante no momento do crime.
A banalização da vida feminina
O caso de Maria Elenice é mais um retrato doloroso de como a morte de mulheres se tornou banalizada em nossa sociedade. Diariamente, as páginas policiais são preenchidas por histórias de vidas interrompidas pelos mais variados autores: o marido que não aceita o fim, o vizinho intolerante, o ex-companheiro possessivo e, como neste episódio chocante, o próprio filho. A recorrência desses crimes revela um cenário onde o lar, que deveria ser um porto seguro, muitas vezes se torna o lugar de maior vulnerabilidade para a mulher, reforçando a urgência de um olhar mais atento para a violência doméstica em todas as suas facetas
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