Manaus | 23 de julho de 2026 | 16:16:15

Educação ambiental premiada: Jovens mulheres lideram transformação sustentável

Ainda nos tempos de escola, a gaúcha Renata Koch Alvarenga aprendeu sobre mudanças climáticas, destruição da camada de ozônio e aquecimento global sob um olhar puramente científico. Com o passar dos anos, percebeu que essas questões impactavam diretamente populações vulneráveis, como mulheres, jovens, negros, indígenas e pessoas com deficiência. Essa conexão levou Renata a atuar no ativismo ambiental e fundar a EmpoderaClima, organização que integra as questões de gênero e clima através da educação.

A iniciativa acaba de ser reconhecida pelo Beautiful Forces Grants, programa da Vital Voices, organização sem fins lucrativos criada por Hillary Clinton, em parceria com a Estée Lauder. O prêmio de R$ 300 mil será investido em um projeto de resiliência climática e prevenção de desastres no Rio Grande do Sul.

Ativismo e empoderamento climático

A jornada de Renata começou quando ela tinha 18 anos, participando da COP21, em Paris, pela ONG Engajamundo. A experiência lhe mostrou como jovens e mulheres tinham pouca representação nesses espaços. A partir disso, nasceu a EmpoderaClima, que se dedica a educar e formar jovens mulheres para atuarem na defesa climática.

O projeto se consolidou através da criação de uma base de dados multilíngue com pesquisas e artigos sobre ecofeminismo, educação ambiental e políticas climáticas de gênero. O grande diferencial, no entanto, está na produção de conteúdo original feito por jovens, abordando temas como agricultura sustentável para mulheres.

A formação de lideranças femininas

Outro destaque da EmpoderaClima é o programa Empoderando pelo Clima, que seleciona mulheres jovens de todo o Brasil para capacitá-las no ativismo e política climática. Em sua edição mais recente, foram inscritas mais de 200 mulheres, das quais 15 foram selecionadas, incluindo ribeirinhas e indígenas. Elas receberam bolsas de estudo para aprofundarem seus conhecimentos e ampliarem seu impacto em suas comunidades.

Educação ambiental nas escolas

A organização também leva oficinas e workshops para escolas em São Paulo, Salvador e Porto Alegre, com o objetivo de envolver estudantes em debates ambientais desde cedo. “Os jovens estão começando a votar, saindo do ensino médio, e têm a possibilidade de se conectar a esses debates. Plantar essa semente mais cedo é essencial”, afirma Renata. Para ela, incluir a educação climática nos currículos escolares é um passo essencial para garantir que o tema não seja visto como algo distante e restrito a fóruns internacionais.

Expansão e próximos passos

Com quase 50 voluntários e prestes a completar seis anos de atuação, a EmpoderaClima quer expandir suas iniciativas e aumentar sua presença no Brasil. Em 2025, o foco estará na COP30, que será realizada em Belém, trazendo jovens da Amazônia que já atuam na defesa do bioma para discussões globais sobre resiliência e adaptação climática.

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