Manaus | 4 de junho de 2026 | 04:47:21

Descarte irregular desafia gestão pública: Manaus retira mil toneladas de lixo do Rio Negro em 2026

Foto – Divulgação/Semulsp

MANAUS – A batalha contra a poluição hídrica na capital amazonense ganhou números alarmantes nesta quinta-feira, 23/4. A Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Limpeza Urbana (Semulsp), confirmou que mais de mil toneladas de resíduos sólidos foram retiradas da orla do rio Negro apenas no primeiro trimestre de 2026.

Os dados expõem um contraste preocupante: embora a cidade conte com 98,4% de cobertura de coleta domiciliar, o descarte irregular em igarapés e vias públicas continua alimentando o acúmulo de lixo no principal cartão-postal da região.

O balanço das operações em 2026

O trabalho de limpeza na orla é dividido em grandes operações de transbordo. De janeiro a março, foram realizadas três grandes ações:

1º Transbordo: 479,9 toneladas;

2º Transbordo: 320,7 toneladas;

3º Transbordo (março): 393,9 toneladas.

“O trabalho é permanente e estruturado, mas ainda enfrentamos o impacto do descarte irregular. Além da limpeza, é fundamental que a população utilize corretamente os serviços disponíveis”, afirmou o secretário da Semulsp, Sabá Reis.

Logística e o papel das “ecobarreiras”

A operação diária percorre o trecho entre a Marina do Davi e a Ponta das Lajes. O processo é complexo: o lixo acumulado nas margens e no espelho d’água é recolhido por balsas e levado ao Porto Trairi, na zona Oeste. De lá, o material segue em caçambas para o aterro municipal.

Para conter o avanço do lixo antes que ele chegue ao leito principal do rio, a prefeitura mantém 14 ecobarreiras em pontos estratégicos de igarapés. Somente nestas estruturas, foram retidas 1.050 toneladas de resíduos entre janeiro e março deste ano, material que, sem o bloqueio, estaria flutuando no Rio Negro.

image 9

O fator chuva e as “lixeiras viciadas”

O aumento no volume de resíduos coincide com o período chuvoso. A precipitação arrasta o lixo descartado incorretamente nas ruas para os igarapés, que funcionam como “corredores” até o rio. Somado a isso, as equipes da Semulsp enfrentam as chamadas “lixeiras viciadas” — pontos de descarte clandestino que, mesmo após limpos, voltam a ser ocupados por entulho e lixo doméstico em poucos dias.

A prefeitura reforça que a cidade oferece alternativas para evitar que o lixo termine nos rios, como os ecopontos e o serviço de coleta agendada para objetos de grande porte (como sofás e eletrodomésticos), bastando ao cidadão o uso consciente desses canais.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Relacionados

Espaço Publicitário

Últimas postagens