Em um marco histórico para a medicina, médicos da Escócia e dos Estados Unidos realizaram a primeira trombectomia remota do mundo, procedimento usado no tratamento de acidente vascular cerebral (AVC). A cirurgia experimental foi conduzida com o auxílio de um robô inovador, capaz de replicar em tempo real os movimentos das mãos do cirurgião, mesmo a milhares de quilômetros de distância.
A trombectomia é o método mais eficaz para remover coágulos que bloqueiam vasos sanguíneos no cérebro. A inovação promete reduzir barreiras geográficas e permitir que especialistas atuem em locais onde o acesso a neurologistas e neurocirurgiões é limitado.
Da Escócia aos Estados Unidos: duas cirurgias, um mesmo robô
A primeira trombectomia remota foi realizada pela professora Iris Grunwald, diretora do Centro de Pesquisa em Terapia Guiada por Imagem (IGTRF) da Universidade de Dundee, na Escócia. O procedimento foi feito em um corpo humano doado à ciência e, apesar da distância, a médica controlou o robô de um bairro diferente daquele onde estava o laboratório.
Poucas horas depois, o neurocirurgião Ricardo Hanel, do Baptist Medical Center, em Jacksonville (EUA), repetiu a operação com sucesso a mais de 6 mil quilômetros de distância da equipe escocesa.
Ambos utilizaram a plataforma robótica desenvolvida pela empresa de tecnologia médica Sentante, que combina fios-guia e cateteres convencionais a um sistema de alta precisão conectado à internet. O robô responde aos comandos com um tempo de atraso de apenas 120 milissegundos, o equivalente a um piscar de olhos.
Como o robô cirúrgico funciona
Diferente de outros sistemas que operam por joystick, o robô da Sentante oferece resposta tátil realista, permitindo que o médico sinta a resistência e a pressão durante o procedimento, como se estivesse atuando manualmente.
Enquanto o cirurgião realiza a manipulação a distância, um profissional presente na sala faz a punção arterial, abrindo caminho para o acesso ao cérebro.
“O robô reproduz exatamente o que sinto ao realizar uma trombectomia presencial. Ele preenche a lacuna entre o operador e o paciente, independentemente da distância”, explicou Iris Grunwald, em comunicado divulgado pela Universidade de Dundee.
O futuro das cirurgias neurológicas
Os testes foram realizados em corpos humanos com circulação simulada, no Instituto de Anatomia de Dundee, referência mundial em cirurgia guiada por imagem. A equipe espera iniciar ensaios clínicos em pacientes vivos nos próximos anos, a fim de validar a segurança e eficácia do método.
A Sentante já recebeu da FDA (agência regulatória dos Estados Unidos) a designação de “Dispositivo Inovador”, reconhecimento dado a tecnologias com potencial de impacto global na saúde.
Especialistas acreditam que, no futuro, a trombectomia remota possa salvar vidas em regiões sem infraestrutura hospitalar avançada, permitindo que pacientes de áreas remotas recebam tratamento imediato de especialistas de qualquer lugar do mundo.
Avanço histórico
A trombectomia remota representa não apenas uma conquista tecnológica, mas um passo concreto rumo a um novo modelo de atendimento médico, no qual distância e tempo deixam de ser barreiras para salvar vidas.






