Com 17 municípios em emergência, Operação Cheia 2025 tenta mitigar impactos enquanto especialistas alertam para riscos crescentes
A cheia dos rios no Amazonas em 2025 já impacta diretamente cerca de 159 mil pessoas em todo o estado, conforme o boletim mais recente do Comitê Permanente de Enfrentamento a Eventos Climáticos e Ambientais. Até o momento, 17 municípios decretaram situação de emergência, incluindo Atalaia do Norte, Apuí, Benjamin Constant, Boca do Acre, Borba, Eirunepé, Guajará, Humaitá, Ipixuna, Itamarati, Manicoré, Novo Aripuanã, Tonantins, Santo Antônio do Içá, Amaturá, Juruá e Envira. Outros 27 municípios estão em estado de alerta, 17 em atenção e apenas um em situação de normalidade.
Em resposta à crise, o Governo do Amazonas ativou a Operação Cheia 2025, que já distribuiu 250 toneladas de cestas básicas, 600 caixas d’água de 500 litros, 46.518 copos de água potável e 10 kits purificadores do programa Água Boa para os municípios afetados. Além disso, a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM) enviou 72 kits de medicamentos para cidades como Apuí, Boca do Acre, Manicoré, Humaitá, Ipixuna, Guajará e Novo Aripuanã, beneficiando mais de 35 mil moradores. Em Manicoré, uma nova usina de oxigênio com capacidade para produzir 30 metros cúbicos por hora foi instalada no hospital municipal, substituindo a antiga que produzia 12 metros cúbicos por hora.
Agência Amazonas
O Serviço Geológico do Brasil (SGB) emitiu alertas indicando que o Rio Negro em Manaus pode ultrapassar a cota de inundação severa de 29 metros, com uma probabilidade de 30%. A previsão é que o rio atinja aproximadamente 28,68 metros, com um intervalo variando entre 27,93 e 29,43 metros. Além de Manaus, cidades como Manacapuru, Itacoatiara e Parintins também estão sob risco de inundações significativas.
Especialistas alertam que, embora as ações emergenciais sejam essenciais, elas não resolvem os problemas estruturais que tornam o estado vulnerável a eventos climáticos extremos. A falta de investimentos em infraestrutura resiliente, a ausência de um plano estadual de adaptação climática e o desmatamento na bacia amazônica contribuem para a frequência e severidade das cheias. Moradores de áreas afetadas, como Maria da Silva, de Borba, expressam frustração com a recorrência das enchentes e a falta de soluções duradouras: “A gente vive esse pesadelo todo ano, e o governo só aparece depois que tudo está debaixo d’água. O que a gente precisa é de estrutura, de casas seguras, de planejamento”.





