MANAUS – A luta contra a hanseníase em Manaus ganhou um reforço estratégico na rede municipal de saúde. Atualmente, 12 unidades de saúde da capital oferecem o teste rápido para a doença, uma ferramenta crucial para identificar quem está sob alto risco de adoecimento. O foco da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) são os chamados “contatos”: pessoas que convivem ou conviveram de forma próxima e prolongada com pacientes diagnosticados.
Diferente do diagnóstico comum, o teste rápido funciona como uma bússola para a vigilância ativa. Ele detecta anticorpos contra o bacilo Mycobacterium leprae. Se o resultado for positivo, não significa que a pessoa já está doente, mas que possui uma vulnerabilidade maior e deve ser monitorada de perto pelos próximos cinco anos.
O perigo da incubação lenta
Um dos maiores desafios da hanseníase é o seu “tempo de silêncio”. O período de incubação da bactéria pode variar de dois a sete anos. Durante esse intervalo, mesmo sem apresentar manchas ou perda de sensibilidade, a pessoa pode transmitir a doença se não estiver em tratamento.
“Após 72 horas do início da medicação, o paciente deixa de transmitir. Porém, até chegar ao diagnóstico, o risco de contágio para a família e colegas de trabalho é mantido”, explica a enfermeira Ana Cristina Malveira, chefe do Núcleo de Controle da Hanseníase (Nuhan/Semsa).
Números e Desafios
Os dados de 2025 revelam a gravidade da situação e a eficiência da busca ativa:
Casos Novos: 106 registros no último ano (incluindo 10 crianças menores de 15 anos).
Crescimento: Em 2024, o número total havia sido de 88 casos.
Vigilância: Manaus atingiu 90,07% de cobertura na avaliação de contatos.
Testagem: 390 testes rápidos foram realizados no ano passado entre as UBSs e a Fundação Alfredo da Matta.
A transmissão em menores de 15 anos é o sinal de alerta máximo para as autoridades sanitárias, pois indica que a doença está circulando ativamente dentro das residências.
Barreiras Invisíveis: Preconceito e Acesso
Apesar do avanço tecnológico com os testes rápidos que exigem apenas uma gota de sangue e podem ser feitos até em domicílio na zona rural, a Semsa ainda enfrenta o estigma social. O medo do preconceito muitas vezes impede que familiares de pacientes procurem as unidades de saúde.
“O controle ainda enfrenta desafios como o diagnóstico tardio e a persistência do estigma social, que dificulta a busca por atendimento e a adesão ao tratamento”, pontua Cristina Malveira.
Onde fazer o teste rápido?
O exame é indicado para quem convive com pacientes diagnosticados e está disponível nas seguintes Unidades de Saúde da Família (USF):






