O Brasil ocupa a liderança mundial no número de cirurgias íntimas femininas, com mais de 20 mil procedimentos de ninfoplastia realizados em 2020, segundo a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (Isaps). O número supera significativamente o dos Estados Unidos, que ficou em segundo lugar com 13.697 cirurgias no mesmo período.
A crescente busca pela cirurgia é impulsionada por avanços tecnológicos e abordagens menos invasivas, mas especialistas alertam para os impactos da pressão estética. Para a ginecologista e sexóloga Lúcia Alves da Silva Lara, coordenadora do Serviço de Saúde Sexual do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (HC-FMRP) da USP, o fenômeno está ligado ao mito da vulva perfeita e à idealização de um padrão inexistente.
“A ideia de que a genitália deve ter determinadas características para ser mais atraente pode levar à busca indiscriminada por esses procedimentos”, explica a médica. Ela reforça que não há um formato ideal de vulva e que a diversidade é natural e saudável.
Embora a cirurgia plástica tenha o princípio de promover o bem-estar do paciente, Lúcia ressalta a importância de limites éticos rigorosos. “Os profissionais devem ter discernimento para indicar apenas o que realmente é necessário e benéfico ao paciente”, finaliza.






