Manaus | 26 de julho de 2026 | 13:52:31

Bolsonaro é página virada para Trump, mas sanções contra ministros do STF devem continuar

via: gettyimages

Após semanas de tensão que levaram Brasil e Estados Unidos ao pior momento de sua relação em décadas, os dois países iniciam um processo de reaproximação diplomática. A mudança começou após o encontro entre o presidente Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva na Assembleia Geral da ONU, em setembro, quando Trump afirmou ter gostado da postura do brasileiro.

Desde então, os presidentes retomaram conversas por telefone, e assessores já estudam um possível encontro presencial na Malásia, durante uma cúpula da Asean (Associação das Nações do Sudeste Asiático).

Segundo Thomas Shannon, ex-embaixador dos EUA no Brasil (2009–2013), a guinada de Trump reflete principalmente dois fatores: o reconhecimento de que não conseguiria interferir no processo judicial de Jair Bolsonaro, e a percepção de que as tarifas sobre produtos brasileiros prejudicariam empresas e consumidores americanos.

“Trump sabe que sua tentativa de proteger Bolsonaro da prisão e garantir que ele pudesse disputar eleições fracassou”, afirmou Shannon à BBC News Brasil. Apesar das tarifas e sanções impostas sob a Lei Magnitsky, Bolsonaro foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por golpe de Estado e outros crimes.

O ex-embaixador explica ainda que Trump, convencido pelo setor privado americano, entendeu o impacto negativo das tarifas e resolveu assumir a responsabilidade de mudar a postura em relação ao Brasil. “Ele transformou um problema bilateral em um encontro pessoal positivo, usando isso para mudar o tom das negociações”, comentou Shannon.

No entanto, o diplomata ressalta que a aproximação não deve alterar as sanções contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e outras figuras políticas brasileiras. “As negociações devem se concentrar em questões econômicas”, disse.

Shannon é diplomata de carreira, tendo atuado também como Subsecretário de Estado para o Hemisfério Ocidental e para Assuntos Políticos, a terceira posição mais alta da chancelaria americana. Atualmente, trabalha como assessor sênior de Política Internacional no escritório de advocacia Arnold & Porter, contratado pelo governo brasileiro para tratar da reversão das tarifas em Washington.

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