Manaus | 4 de junho de 2026 | 11:44:14

Bebê reborn vira alvo de críticas na CMM e reacende debate sobre saúde mental, carência afetiva e distorção de políticas públicas

Manaus (AM) – O fenômeno dos “bebês reborn” — bonecas hiper-realistas tratadas por adultos como se fossem filhos de verdade — ultrapassou as redes sociais e chegou à Câmara Municipal de Manaus (CMM). Em sessão realizada nesta segunda-feira (19), o vereador Mitoso não poupou críticas ao que chamou de “inversão da ordem social” e propôs uma emenda à Lei Orgânica Municipal (LOMAN) para garantir proteção às crianças reais em situação de vulnerabilidade.

A fala do parlamentar ocorre após semanas de repercussão nacional sobre vídeos de adultos levando bonecas reborn a consultas pediátricas, trocando fraldas em público, ocupando filas preferenciais e reivindicando direitos voltados a mães e bebês. A situação viralizou e provocou reações do Congresso Nacional, que estuda um projeto de lei prevendo multa para quem tentar obter qualquer benefício público utilizando uma boneca reborn.

Na tribuna da CMM, Mitoso classificou o comportamento como um reflexo de uma sociedade adoecida:

“Estão invertendo a configuração familiar ao ponto de chamar um boneco de meu filhinho. É uma sociedade que está doente, são doentes”, declarou.

Além das críticas, o vereador sugeriu que Manaus avance em políticas públicas de acolhimento para crianças e adolescentes em situação de orfandade ou abandono. A proposta é que a emenda à LOMAN reforce a prioridade orçamentária e institucional para atender quem realmente precisa — e não criações fictícias.

O que está por trás do fenômeno?

Especialistas em saúde mental alertam que, embora o uso de bonecas reborn possa inicialmente parecer uma prática inofensiva — e até terapêutica em certos contextos, como em idosos com Alzheimer —, a banalização e teatralização do uso em público por adultos emocionalmente saudáveis pode apontar para lacunas afetivas, transtornos psicológicos ou até distorção da realidade.

“O problema não é o boneco. É quando ele ocupa o lugar de um ser humano real e passa a ser usado para obter privilégios que a sociedade destinou a quem de fato precisa”, comenta uma psicóloga consultada pelo portal.

Legislação em debate

O projeto que tramita no Congresso pretende criar sanções legais para coibir o uso indevido de políticas públicas. Em Manaus, a provocação feita pelo vereador Mitoso pode abrir espaço para um debate mais amplo sobre a relação entre carência emocional, uso de espaços públicos e o papel das instituições.

O tema, que começou como meme, agora ganha contornos jurídicos e sociais — e coloca no centro do debate não apenas os “pais de bonecas”, mas o que a sociedade anda negligenciando em termos de atenção real à infância.

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