Nos últimos três anos, as internações por Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) representaram um custo significativo para os sistemas público e privado de saúde no Brasil. Segundo levantamento realizado pela Planisa, empresa especializada em gestão de gastos hospitalares, em parceria com a plataforma DRG Brasil, foram registradas 2.202 internações por TAG entre 2022 e novembro de 2024, totalizando um impacto financeiro de R$ 5,7 milhões.
A pesquisa, que analisou dados de mais de 440 hospitais em todo o país, destaca o crescente peso desse transtorno mental, não apenas na saúde pública, mas também no setor privado. O TAG, caracterizado por preocupação excessiva e persistente que interfere na qualidade de vida do indivíduo, é um reflexo de um cenário social que enfrenta crises econômicas, instabilidade política e mudanças culturais aceleradas.
Um panorama preocupante
O aumento das internações reforça a necessidade de atenção às doenças mentais no Brasil. Embora o país tenha avançado em políticas públicas de saúde mental, os números indicam que muitas pessoas ainda chegam a um estágio crítico do transtorno antes de buscar ou receber atendimento. A falta de um diagnóstico precoce e de acesso a tratamentos preventivos, como terapia e medicamentos, é um dos fatores que contribuem para a sobrecarga do sistema hospitalar.
Além disso, o levantamento aponta para a disparidade regional no acesso aos cuidados. Em muitas áreas do país, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, a infraestrutura para atendimento psicológico e psiquiátrico ainda é insuficiente, resultando em internações que poderiam ser evitadas com intervenções precoces.
O impacto financeiro e humano
Os custos de R$ 5,7 milhões relacionados às internações por TAG refletem mais do que o peso financeiro para hospitais e sistemas de saúde: eles evidenciam um impacto humano profundo. O transtorno de ansiedade, quando não tratado adequadamente, pode levar a complicações graves, como depressão, crises de pânico e incapacidade de realizar atividades diárias.
Especialistas em saúde mental alertam para a necessidade de campanhas de conscientização, maior investimento em atendimento preventivo e a ampliação da oferta de serviços de saúde mental, como CAPS (Centros de Atenção Psicossocial), para evitar que pacientes com transtorno de ansiedade precisem de internações.
Soluções e desafios
A pesquisa da Planisa e DRG Brasil também serve como um chamado para repensar as estratégias de cuidado com a saúde mental no país. Investir em políticas que promovam o bem-estar emocional e previnam agravamentos pode aliviar a pressão sobre os hospitais e reduzir os custos a longo prazo.
Entre as soluções possíveis estão a capacitação de profissionais de saúde para identificar sintomas de TAG em estágios iniciais, a ampliação do acesso a psicoterapia pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e a criação de programas educativos que desmistifiquem os transtornos mentais e incentivem a busca por ajuda.





