Manaus | 19 de julho de 2026 | 11:09:17

Álcool na gravidez pode causar deformações faciais em crianças, diz estudo

Beber álcool durante a gravidez, ainda que em pequenas quantidades, pode causar deformações faciais que persistem até os oito anos de idade nas crianças. A conclusão vem de um estudo publicado na última segunda-feira (10) na revista científica Human Reproduction, reforçando preocupações sobre os efeitos da exposição fetal ao álcool.

Os pesquisadores utilizaram tecnologia de imagem em 3D para analisar mudanças sutis na estrutura do rosto de crianças cujas mães consumiram bebidas alcoólicas durante a gestação. Embora as alterações sejam discretas e possam passar despercebidas a olho nu, o estudo destaca que elas podem ser um reflexo de impactos mais amplos na saúde da criança.

A relação entre o consumo de álcool na gravidez e problemas no desenvolvimento fetal já é bem documentada, principalmente na Síndrome Alcoólica Fetal (SAF), que pode causar malformações evidentes, atraso no crescimento e comprometimento neurológico. No entanto, o novo estudo indica que até mesmo doses consideradas baixas podem levar a mudanças na formação da face, o que levanta novas questões sobre os efeitos do álcool no desenvolvimento cerebral.

Os efeitos do álcool no rosto infantil

O estudo foi realizado com mais de 200 crianças e apontou que as principais alterações aparecem na área dos olhos, nariz e lábios. As diferenças foram mais evidentes em crianças cujas mães consumiram álcool no primeiro trimestre da gravidez, período crítico para o desenvolvimento facial do feto.

A pesquisadora sênior responsável pelo estudo, Evi Cox, destaca que ainda não se pode afirmar se essas mudanças faciais estão ligadas a déficits cognitivos ou comportamentais. No entanto, a descoberta serve como mais um alerta sobre os riscos do consumo de álcool na gestação.

“Nosso estudo reforça a orientação de que a melhor escolha para as gestantes é evitar completamente o álcool. Pequenas quantidades podem parecer inofensivas, mas podem ter efeitos sutis e duradouros no desenvolvimento da criança”, alerta Cox.

Álcool e gravidez: recomendações médicas

Atualmente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e diversas entidades médicas recomendam a abstinência completa de álcool durante a gravidez, já que não há uma quantidade segura de consumo estabelecida. Os especialistas ressaltam que cada organismo metaboliza o álcool de maneira diferente e que a exposição do feto à substância pode trazer consequências imprevisíveis.

Para mulheres que estão tentando engravidar ou que descobriram a gestação após consumir álcool, os médicos recomendam interromper o consumo imediatamente e buscar acompanhamento pré-natal.

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