Manaus | 3 de junho de 2026 | 02:37:27

A rotina desesperadora da mãe que se tranca na cozinha para não ser agredida pelo próprio filho autista

foto reprodução via: @mae_deautistanivel3

“Eu já quase morri duas vezes”. O desabafo é de Efigênia, uma mãe que, em Fortaleza (CE), trava uma batalha invisível e solitária contra o tempo, a pobreza e a falta de assistência especializada. Seu filho, Júlio, de 30 anos, possui autismo severo (nível 3). Enquanto ele circula livremente pela casa em meio a crises intensas, é Efigênia quem vive em cárcere privado dentro do próprio lar para sobreviver.

O Refúgio é a Cozinha

Diferente do que muitos imaginam, em momentos de surto, Júlio não é trancado. Quem corre para se esconder é a mãe. A cozinha virou seu búnquer. Entre as frestas da porta, ela monitora o filho que, no auge da desregulação, quebra móveis, risca paredes e se autoflagela. Com o avanço da idade, Júlio tornou-se um homem forte, e Efigênia, envelhecendo e sem apoio, já não consegue conter a força física do filho que parou de falar há anos.

Uma Casa em Ruínas

O cenário onde vivem reflete o abandono:

Dormitório de Cimento: Júlio dorme sobre uma base de alvenaria, pois nenhuma cama resiste aos surtos.

Exaustão Materna: Efigênia dorme no chão ou em uma rede, sempre em estado de alerta.

Estrutura Condenada: A infiltração, o mofo e o forro prestes a ceder mostram que a casa está sucumbindo junto com a saúde mental dessa família.

O único momento de trégua vem das cores. Júlio passa horas pintando cartolinas — um grito de silêncio em meio ao caos. São cinco, seis desenhos por dia que trazem a paz que as terapias ausentes deveriam proporcionar.

A Luta Contra a Invisibilidade

Sem acompanhamento multidisciplinar há anos, os surtos de Júlio se intensificaram. Sobrevivendo apenas com um benefício e uma pequena pensão, Efigênia não tem recursos para pagar os profissionais que poderiam dar dignidade ao filho.

O caso de Efigênia e Júlio não é isolado; ele ilustra a realidade de milhares de “mães atípicas” no Brasil que sofrem com o burnout materno e a falta de políticas públicas para autistas adultos. Quando o suporte falta, o cuidado vira fardo, e a casa, antes um lar, torna-se um campo de batalha pela sobrevivência.

COMO AJUDAR?

Efigênia criou uma vaquinha para reformar a casa e, principalmente, garantir o tratamento especializado que Júlio tanto precisa para recuperar a qualidade de vida e reduzir as agressões.

Chave PIX: [email protected]

Saiba mais em: @mae_deautistanivel3

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