Navegando pelas redes sociais surgiu na tela do computador um gráfico elaborado pelo IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, que mostra o número de estabelecimentos religiosos, educacionais e de saúde em Manaus, nossa capital. De acordo com os dados, são 7.865 religiosos, 1.743 de ensino, e 1.056 de educação. O que isso revela? O crescente número de igrejas que se contrapõe à estagnação de instituições de ensino. Essa discrepância, além de representar um obstáculo ao desenvolvimento social da cidade, coloca em risco o futuro da geração Z (pessoas nascidas entre 1995-2010), que está sendo tragada por essa realidade.
Alguns fatores podem responder essa ascensão religiosa em Manaus: A busca por conforto espiritual, a promessa de soluções para problemas cotidianos e a carência de políticas públicas eficazes na área social. Entretanto, infelizmente, parece que o “manauara” ao buscar alívio para suas dores passa a renegar a educação. E isso se reflete na baixa taxa de matrículas em escolas (também crescente), na precária infraestrutura educacional e na evasão escolar.
O que se quer para a cidade? Mais templos ou mais escolas? Muitos não percebem que o empobrecimento intelectual dá ensejo à uma geração que está servindo apenas de massa de manobra para quem detém o poder e, por que não, a informação/conteúdo. Observa-se essa “estratégia” quando um líder religioso bem influente nas redes sociais diz “se a faculdade vai acabar com a vida do teu filho, não manda ele para a faculdade.. Vai vender picolé na garagem”.
É preciso compreender que a estagnação educacional gera diversos perigos para uma sociedade já subdesenvolvida como Manaus que, sem acesso à educação de qualidade, fica impossibilitada de desenvolver todo o seu potencial, tanto individual quanto coletivamente.
As vendas impostas pela fé aplicada para suprir a ganância de alguns líderes religiosos aumentam a vulnerabilidade social, tornando os indivíduos mais suscetíveis à manipulação, exploração e exclusão, o que acaba por prolongar o ciclo de pobreza e de marginalização.
O impacto desse fenômeno contemporâneo vai respingar, impreterivelmente, nas crianças e jovens da geração Z, filhos em grande parte dos frequentadores desses estabelecimentos religiosos. Essa parcela da população em algum momento vai ter que se provar ao mercado e, em um mundo cada vez mais competitivo e exigente, a falta de educação formal será um obstáculo, limitando as oportunidades de emprego e renda.
Além disso, a escassez de conhecimento gera uma falta de senso crítico e de percepção e compreensão do mundo real. Frequentar bancos de igreja, ouvindo muitas vezes a interpretação de quem detém o dom da oratória, não prepara o indivíduo para responder perguntas assertivas do cotidiano, e não o instrui para lidar com problemas verídicos.
É necessário expor as feridas para curá-las. A questão não é confrontar a religião como ela é, até porque o lado espiritual de uma população também precisa ser tratado, entretanto o equilíbrio se faz urgente e fundamental para se avançar como sociedade.
Para atender uma não é preciso renegar a outra, afinal, a religião cura dores e o conhecimento liberta.
E nunca é demais lembrar: A ciência que nega a fé é tão inútil quanto a fé que nega a ciência.









