Aeronáutica cita proteção à privacidade para negar acesso a informações de voos do ex-dono do Banco Master; pedido abrangia período em que ele foi preso em Guarulhos.
A Força Aérea Brasileira (FAB) impôs sigilo de até 100 anos sobre informações relacionadas aos passageiros de uma aeronave ligada a Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. A restrição foi justificada pela necessidade de proteger a intimidade e a vida privada das pessoas que utilizaram o avião, conforme resposta a um pedido feito com base na Lei de Acesso à Informação (LAI).
A solicitação buscava informações sobre os planos de voo da aeronave de prefixo PS-FST entre os dias 10 e 20 de novembro de 2025. O período inclui 17 de novembro, quando Vorcaro foi preso no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, enquanto se preparava para viajar ao exterior.
Para justificar a negativa, o Comando da Aeronáutica citou o artigo 31 da LAI, que prevê restrições de acesso a informações pessoais por até 100 anos. Segundo o órgão, a divulgação dos itinerários poderia permitir a identificação dos passageiros por meio do cruzamento de dados com registros públicos, além de possibilitar a reconstrução dos deslocamentos dessas pessoas.
A repercussão do caso ocorre em meio às investigações envolvendo o Banco Master e às discussões sobre o uso de aeronaves particulares por pessoas ligadas à política e ao mercado financeiro. A restrição, porém, não comprova irregularidades por parte dos passageiros que eventualmente tenham utilizado o avião.
O caso também reacende o debate sobre transparência na administração pública e os limites entre o direito de acesso à informação e a proteção de dados pessoais.






