Manaus | 3 de junho de 2026 | 03:49:54

Da calçada para o balcão: Mãe solo de criança autista ganha estrutura para empreender em Manaus

FOTO: Paula Pessoa/UGPE

MANAUS (AM) – O que começou como uma pequena banca de doces em frente a um bloco de apartamentos, no bairro Japiim, acaba de ganhar rodas e uma estrutura profissional. Na última sexta-feira (27), a capital amazonense registrou a entrega do primeiro “food truck” destinado a moradores de conjuntos habitacionais do Prosamin+, marcando uma mudança de estratégia nas políticas públicas de reassentamento: agora, além do teto, o foco é a geração de renda na porta de casa.

História de Recomeço

A trajetória de Adriane da Silva, de 38 anos, resume o desafio de milhares de mulheres amazonenses. Ex-moradora da Comunidade da Sharp, na zona Leste, ela viu sua rotina mudar drasticamente ao se mudar para o Parque Residencial General Rodrigo Otávio. Mãe de José Lorenzo, de 4 anos, que é autista, Adriane precisou deixar o emprego formal para se dedicar integralmente aos cuidados do filho.

A solução encontrada foi o empreendedorismo de subsistência, vendendo guloseimas no condomínio. Agora, após vencer um processo seletivo que avaliou propostas de negócio entre os moradores, ela assume o comando de uma cozinha móvel equipada para a venda de lanches e bebidas.

“Vale a pena acreditar nos sonhos e aproveitar as oportunidades sem medo”, celebrou a empreendedora, que agora planeja expandir o cardápio e garantir a autonomia financeira da família.

Mais que infraestrutura, autonomia

A iniciativa faz parte de um plano maior que prevê a distribuição de 181 unidades comerciais — entre quiosques e espaços em feiras cobertas, para famílias que foram retiradas de áreas de risco e igarapés. O diferencial desta etapa é a priorização de critérios sociais no edital, como uma pontuação maior para mães solo e chefes de família em situação de vulnerabilidade.

Para quem acompanha o desenvolvimento urbano de Manaus, o movimento sinaliza uma tentativa de resolver um problema crônico de grandes projetos habitacionais: o isolamento econômico dos moradores. Ao oferecer a estrutura física para o comércio, o programa tenta garantir que a mudança de endereço não signifique a perda do sustento.

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