Manaus | 20 de outubro de 2026 | 10:11:20

Eike Batista ressurge das cinzas com novo combustível e promete “desbancar” Petrobras no Brasil

O empresário Eike Batista, que protagonizou uma impressionante ascensão e queda no mundo dos negócios brasileiros, agora aposta alto para voltar desta vez no campo dos biocombustíveis.

Batista está por trás de um empreendimento voltado à chamada “supercana” uma variedade de cana-de-açúcar geneticamente melhorada que promete, segundo ele, produzir até três vezes mais etanol por hectare e até doze vezes mais biomassa do que a cana convencional.

Por meio da empresa ligada ao projeto, denominada BRXe, a meta é desenvolver vastas áreas de plantio (70 mil hectares em módulo inicial) na região do Porto do Açu, Rio de Janeiro, e instalar unidades de moagem que permitam a produção, além de etanol para automóveis, de combustível sustentável de aviação (SAF) e biomassa para embalagens biodegradáveis.

O empresário afirma que, se tudo andar conforme o plano, dentro de 5 a 10 anos sua tecnologia poderá substituir grande parte das plantações de cana atualmente existentes no Brasil.

Apesar do otimismo, especialistas e atores do setor manifestam ceticismo apontam que ainda faltam “provas científicas independentes” que atestem a viabilidade da supercana em diferentes terroirs e situações climáticas no Brasil.

Se o projeto alcançar escala e funcionar conforme prometido, Batista poderá representar um competidor relevante para a Petrobras, que hoje detém protagonismo no setor de combustíveis tradicionais e biocombustíveis no país. (Vale lembrar que a Petrobras está investindo fortemente em integração de refinarias, combustíveis com conteúdo renovável e expansão de produção. )

Entretanto, é importante colocar alguns “lembretes” de contexto que afetam a credibilidade da iniciativa:

Eike Batista já enfrentou ampla derrocada empresarial, inclusive com condenações e processos.

O setor de etanol, biocombustíveis e SAF está sujeito a riscos tecnológicos, regulatórios, de escala e logística.

A Petrobras possui infraestrutura, escala, e presença territorial que dão a ela vantagens estabelecidas.

Mesmo que o projeto da supercana avance, “desbancar” a Petrobras implicaria vencer barreiras enormes: escala nacional, integração com logística, regulação, investimento em refino/distribuição e competição internacional.

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