O empresário Eike Batista, que protagonizou uma impressionante ascensão e queda no mundo dos negócios brasileiros, agora aposta alto para voltar desta vez no campo dos biocombustíveis.
Batista está por trás de um empreendimento voltado à chamada “supercana” uma variedade de cana-de-açúcar geneticamente melhorada que promete, segundo ele, produzir até três vezes mais etanol por hectare e até doze vezes mais biomassa do que a cana convencional.
Por meio da empresa ligada ao projeto, denominada BRXe, a meta é desenvolver vastas áreas de plantio (70 mil hectares em módulo inicial) na região do Porto do Açu, Rio de Janeiro, e instalar unidades de moagem que permitam a produção, além de etanol para automóveis, de combustível sustentável de aviação (SAF) e biomassa para embalagens biodegradáveis.
O empresário afirma que, se tudo andar conforme o plano, dentro de 5 a 10 anos sua tecnologia poderá substituir grande parte das plantações de cana atualmente existentes no Brasil.
Apesar do otimismo, especialistas e atores do setor manifestam ceticismo apontam que ainda faltam “provas científicas independentes” que atestem a viabilidade da supercana em diferentes terroirs e situações climáticas no Brasil.
Se o projeto alcançar escala e funcionar conforme prometido, Batista poderá representar um competidor relevante para a Petrobras, que hoje detém protagonismo no setor de combustíveis tradicionais e biocombustíveis no país. (Vale lembrar que a Petrobras está investindo fortemente em integração de refinarias, combustíveis com conteúdo renovável e expansão de produção. )
Entretanto, é importante colocar alguns “lembretes” de contexto que afetam a credibilidade da iniciativa:
Eike Batista já enfrentou ampla derrocada empresarial, inclusive com condenações e processos.
O setor de etanol, biocombustíveis e SAF está sujeito a riscos tecnológicos, regulatórios, de escala e logística.
A Petrobras possui infraestrutura, escala, e presença territorial que dão a ela vantagens estabelecidas.
Mesmo que o projeto da supercana avance, “desbancar” a Petrobras implicaria vencer barreiras enormes: escala nacional, integração com logística, regulação, investimento em refino/distribuição e competição internacional.






