O Amazonas se despede nesta terça-feira (3) de uma figura que se confundia com o próprio patrimônio cultural do estado. Antônio Nonato, carinhosamente chamado de seu Nonato, faleceu após mais de cinco décadas de serviços prestados ao Teatro Amazonas — ícone máximo da arte e da arquitetura na região.
A notícia foi confirmada pelo governador Wilson Lima, que prestou homenagem pública nas redes sociais:
“Hoje, perdemos o grande guardião do nosso Teatro Amazonas, seu Nonato. Seus mais de 50 anos como servidor do Teatro se confundem com a história da nossa cultura. Nossa gratidão por toda sua dedicação! Aos familiares e amigos, meu abraço e solidariedade.”
Ao longo dos anos, seu Nonato se tornou uma espécie de “alma viva” do espaço. Conhecia cada canto do teatro, cada história de bastidor e cada artista que ali passou. Ele acompanhou gerações de cantores, bailarinos, músicos e técnicos, sendo reconhecido não apenas como funcionário, mas como memória viva da cultura amazonense.
Muito além do crachá
Mais que um servidor público, seu Nonato era referência afetiva. Para muitos, ele foi o primeiro contato com o teatro, aquele que recebia, orientava, resolvia problemas e contava causos do tempo em que o Teatro Amazonas quase foi silenciado — e também do tempo em que foi revitalizado e internacionalmente reconhecido.
“Ele era quem mantinha o coração do teatro batendo mesmo quando as cortinas estavam fechadas. Um mestre silencioso do dia a dia”, declarou uma ex-colega de trabalho.
Legado de humanidade
A partida de seu Nonato marca mais do que o fim de um ciclo: representa a perda de uma memória que viveu por dentro da cultura. Para artistas locais, ele era símbolo de resistência, simplicidade e sabedoria.
As redes sociais foram tomadas por homenagens. Fotos antigas, relatos emocionados e lembranças de encontros com o veterano servidor formaram uma corrente de reconhecimento a quem pouco apareceu nos holofotes, mas sempre esteve presente no palco da vida cultural da cidade.
Despedida e reconhecimento
A Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas deve prestar homenagem oficial nos próximos dias. O velório ocorrerá em cerimônia restrita à família, mas um ato público simbólico será realizado no saguão do Teatro, conforme apuração junto à equipe do local.
“Seu Nonato era patrimônio humano do nosso estado. Seu nome ficará para sempre ligado à história que ajudou a preservar com tanto amor”, afirmou um representante da secretaria.





