Manaus | 23 de julho de 2026 | 13:39:49

Proibição de celulares nas escolas: Mães contam como os filhos estão reagindo

Com a volta às aulas, estudantes, pais e educadores precisaram se adaptar à nova Lei que proíbe o uso de celulares nas escolas públicas e privadas de todo o país. A medida, sancionada em janeiro deste ano, restringe o uso de dispositivos eletrônicos portáteis tanto em sala de aula quanto nos intervalos. Para entender os impactos, ouvimos três mães que relataram como a restrição afetou o comportamento dos filhos dentro e fora da escola.

Mãe adolescente

No início, os filhos da confeiteira Camila Beluzzo, de 44 anos, resistiram às novas regras, principalmente Kyra, de 14 anos, mãe de um bebê de 5 meses. “Ela sentiu o peso da responsabilidade ao deixar o filho e não poder receber notícias durante o período escolar”, disse. Mas com o passar dos dias, a adolescente se adaptou. A família encontrou uma maneira de tranquilizar a aluna, que estuda em uma escola particular de São Caetano do Sul (SP). “Conversei com a escola, que disponibilizou um canal de comunicação. Se necessário, ela pode solicitar uma ligação para saber do bebê”, explicou Camila.

Camila, que também é mãe de Thor, de 17, Diego, de 8, e Layla, de 14, irmã gêmea de Kyra, disse que a medida não aumentou o tempo de tela em casa. “Eles ligam os celulares apenas ao sair da escola porque voltam a pé, e eu acompanho pelo localizador. Depois do almoço e das tarefas, eles têm tempo livre, mas, à noite, há um horário definido para desligar os aparelhos”, explicou.

Mais interação entre os alunos

Maíra Ferreira Leitão, 42 anos, professora particular de Campo Belo (MG), tem duas filhas — Elisa, de 10 anos, e Manuela, de 8. Ela disse ter percebido um impacto positivo no comportamento das filhas desde a implantação da nova medida. “No primeiro dia, Elisa achou ruim porque era a primeira vez estudando de manhã e estava insegura”, conta.

A mãe, então, explicou para a filha que ela poderia usar o telefone da secretaria caso precisasse. “Agora, ela está amando o recreio, pois os alunos mais velhos estão interagindo mais com os menores, jogando queimada, rouba-bandeira, Uno e pulando corda”, relata. Ela disse também que as filhas passaram a usar menos o celular em casa.

Adaptação da família

Na opinião da designer de festas Adriana Bauman, de 47 anos, a proibição tem gerado adaptações não somente para os alunos, como também para os pais, que estavam acostumados a ter contato direto com os filhos. A mãe de seis mora em Paulínia, no interior de São Paulo, e quatro dos filhos estão em idade escolar — Pedro Henrique, 16 anos, Ana Luiza, 14, e os gêmeos Miguel e Gabriel, de 9.

Uma das preocupações dela é a responsabilidade pelo aparelho. “As escolas não se responsabilizam pelos celulares. Se sumir, não tem respaldo. Isso fez com que meus filhos evitem levar”, afirma. Mesmo assim, Adriana vê a medida como essencial. “Hoje, trabalho com celular e fico conectada o tempo todo. Mas percebo o impacto da dependência entre os adolescentes. Quando acaba a internet ou a luz em casa é quando eu percebo que tenho seis filhos, porque eles aparecem no meu quarto sentindo falta da internet”, brinca a mãe.

Para ela, quando bem aplicada, a retirada dos eletrônicos traz benefícios. “A escola precisa oferecer alternativas, e a dos meus filhos tem feito isso, com atividades físicas e clubes de leitura”, diz. “A escola é um momento único nas nossas vidas, onde a gente se conecta com os amigos que levamos para a vida inteira. Então, eu gostei bastante da restrição. Na minha opinião, é só o processo de adaptação que pode ser mais difícil”, finaliza.

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