De acordo com a ginecologista Silvana Chedid, do Hospital Sírio-Libanês, uma mulher leva, em média, dez anos para receber o diagnóstico correto de endometriose. Ela falou sobre o tema no programa “CNN Sinais Vitais – Dr. Kalil Entrevista” deste sábado (21), ao lado de Eduardo Motta, professor da Divisão de Ginecologia da Faculdade de Medicina da USP. A doença, que é crônica, tem um diagnóstico demorado, o que prejudica o tratamento precoce.
Segundo Chedid, “quanto mais tempo passa, mais os focos de endometriose vão crescendo, e os sintomas se agravam, além do aumento dos riscos de infertilidade”. Ela explica que muitas mulheres descobrem a condição quando tentam engravidar e enfrentam dificuldades. “A endometriose pode levar à infertilidade mesmo nas suas formas mais leves, pois o processo inflamatório e imunológico causado pela doença pode afetar a fertilidade”, acrescenta.
Embora a endometriose aumente as chances de dificuldades para engravidar, os especialistas afirmam que nem todas as mulheres com a doença terão problemas de fertilidade. “Quem tem endometriose tem uma chance maior de enfrentar dificuldades para engravidar, mas isso não significa que todas enfrentarão”, afirma Motta. Em casos mais graves, a fertilização in vitro pode ser uma alternativa.
A endometriose é uma condição crônica caracterizada pelo crescimento do tecido do endométrio fora do útero, podendo afetar trompas, ovários, peritônio, bexiga e intestinos, entre outros órgãos. Isso causa inflamações e pode gerar dor intensa durante o ciclo menstrual, nas relações sexuais e também fora do ciclo, principalmente na região pélvica e inferior do abdômen.
A localização da endometriose pode alterar os sintomas. “Se o tecido está no intestino, pode causar cólicas intestinais, diarreia, entre outros sintomas. Se estiver na bexiga, pode ocasionar dor ao urinar. Em casos mais graves, a função reprodutiva também pode ser afetada”, explica Motta.
A incidência de endometriose é maior em centros urbanos, com maior acesso a métodos contraceptivos, alimentação inadequada e gestações mais tardias. “Embora haja um componente hereditário, fatores como alimentação e ambiente têm um papel significativo no desenvolvimento da doença”, afirma o especialista. O consumo de ultraprocessados, a poluição ambiental, o tabagismo e o adiamento da gravidez aumentam o risco de desenvolver endometriose.
Apesar da demora no diagnóstico, os avanços nos exames e tratamentos têm sido significativos. “Há 20 anos, a confirmação do diagnóstico exigia uma laparoscopia, um procedimento cirúrgico invasivo. Hoje, com os avanços nos exames de imagem, a laparoscopia é indicada apenas em casos específicos”, afirma Chedid.
Além disso, dependendo do caso, a endometriose pode ser tratada com medicamentos, sem a necessidade de cirurgia. Motta destaca que a mudança no comportamento social e na saúde das mulheres pode ajudar na prevenção e no tratamento da doença. “Mudanças no estilo de vida, como alimentação mais saudável e a diminuição do sedentarismo, podem melhorar a qualidade de vida das mulheres afetadas”, conclui.






