A intenção do governo do Pará em instalar uma zona franca em Belém, nos moldes da Zona Franca de Manaus (ZFM), é vista como reflexo do sucesso do modelo de desenvolvimento amazonense, consolidado há décadas como motor da economia estadual, responsável por milhares de empregos e pela industrialização regional.
A proposta, apresentada pela deputada federal Elcione Barbalho (MDB-PA), difere da matriz manauara ao prever foco na bioeconomia. A iniciativa, portanto, não configuraria necessariamente concorrência direta com o polo industrial do Amazonas, cuja base está na indústria de transformação.
No entanto, o debate expõe um ponto sensível: a necessidade de a Zona Franca de Manaus buscar alternativas que a tornem sustentável para além dos incentivos fiscais, vigentes até 2074. Embora pareça um horizonte distante, especialistas alertam que, diante da complexidade de uma transição econômica, o prazo pode ser insuficiente.
Há anos, estudiosos defendem que o modelo amazonense precisa investir em cadeias produtivas baseadas na biodiversidade, com foco em cosméticos, medicamentos, fitoterápicos e alimentos, produtos com diferencial exclusivo da região. Essa estratégia permitiria que o polo se mantivesse competitivo mesmo sem renúncia fiscal, garantindo perenidade ao modelo.
Um exemplo desse movimento já em curso é a criação do Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA), concebido justamente para fomentar pesquisas e empreendimentos que utilizem a riqueza natural da floresta de forma sustentável e inovadora.





