Manaus | 24 de julho de 2026 | 05:06:15

Vídeo de câmera corporal mostra ação de PMs que resultou na morte de homem com esquizofrenia

Ação da Brigada Militar terminou com a morte de Herick Cristian da Silva Vargas, aos 29 anos. Foto: Reprodução

Porto Alegre (RS) – Imagens de câmera corporal obtidas pela RBS TV revelam detalhes da ação policial que terminou com a morte de Herick Cristian da Silva Vargas, de 29 anos, durante um surto psicótico, em setembro, no bairro Parque Santa Fé, na capital gaúcha. O vídeo, cedido pelo advogado da família, mostra o momento em que o jovem é contido por policiais militares dentro de casa, na frente da mãe, antes de ser baleado.

Nesta segunda-feira (10), tanto a Polícia Civil quanto a Corregedoria da Brigada Militar (BM) concluíram que os agentes agiram em legítima defesa. Com isso, não haverá indiciamento dos policiais envolvidos.

Conclusão das investigações

De acordo com a Polícia Civil, a análise de depoimentos, laudos e das imagens registradas confirmou que os brigadianos seguiram os protocolos de uso diferenciado e progressivo da força.

“Após análise detalhada do conjunto de elementos informativos, foi constatado que a atuação dos policiais militares observou os protocolos de uso diferenciado e progressivo da força”, diz a nota oficial.

O entendimento acompanha o resultado do Inquérito Policial Militar (IPM) conduzido pela Corregedoria da BM, que também concluiu que a ação evoluiu de tentativas de diálogo ao uso de arma de choque e, posteriormente, quatro disparos.

Com o encerramento dos inquéritos, o material foi encaminhado à Justiça, que agora deve enviar o caso ao Ministério Público para manifestação. Caso haja concordância com a tese de legítima defesa, o processo pode ser arquivado.

Momentos que antecederam o disparo

As gravações mostram os policiais conversando sobre a ocorrência ainda na viatura. Ao chegarem à residência, encontram Herick sentado no chão, ao lado da mãe. Eles tentam diálogo por cerca de dois minutos e pedem que ele permaneça sentado.

Herick, no entanto, se levanta e questiona repetidamente sobre a arma, dizendo: “atira em mim, atira em mim”. Em seguida, ele é atingido por um disparo de taser e cai. A mãe e a tia tentam contê-lo, mas são orientadas pelos PMs a se afastar. Logo após, ocorrem os disparos de arma de fogo.

A mãe, desesperada, reage:

“A gente chamou vocês pra ajudar, não pra matar meu filho.”

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) chegou minutos depois, mas Herick morreu dentro de casa.

Ocorrência foi registrada como violência doméstica

Segundo a Brigada Militar, foi a própria mãe quem acionou o 190. Ela relatou que o filho estava agressivo após uso de cocaína. A corporação afirma que a ocorrência se enquadrava como violência doméstica.

O laudo toxicológico oficial confirmou alta concentração de cocaína no organismo do jovem, o que, associado ao quadro de esquizofrenia, teria intensificado o surto e tornado a contenção mais difícil.

“O conjunto probatório demonstrou que os policiais obedeceram às regras de uso diferenciado da força, iniciando pela conversação, evoluindo para instrumento de menor potencial ofensivo e, diante da agressão física, para força letal”, afirma a BM.

Policiais estavam afastados

Os dois brigadianos envolvidos estavam afastados desde o acontecimento, mas com a conclusão dos inquéritos poderão retornar às atividades.

A Brigada Militar afirmou ainda que mantém cursos e treinamentos contínuos para aperfeiçoamento técnico dos policiais e lamentou o desfecho do caso.

Veja o vídeo AQUI

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