Apoiador do presidente Jair Bolsonaro, ele tentou desobrigar o uso de máscaras de proteção

O vereador Thiarles Santos (PSL), de Uberlândia (MG), morreu na última sexta-feira (17), aos 34 anos, em decorrência de complicações da Covid-19. Apoiador do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), ele espalhou mentiras sobre o uso de máscara e tentou desobrigar o uso do item de proteção contra a doença.

O parlamentar ficou quase um mês internado. Ele deixa a mulher e quatro filhos. O velório ocorre na manhã deste sábado (18), no cemitério Parque dos Buritis, em Uberlândia. Em sua vaga na Câmara, assumirá o suplente Sérvio Túlio Félix Simões Filho (PSL), de 32 anos.

Segundo reportagem do portal UOL, Thiarles testou positivo em 16 de agosto. No mesmo dia, defendeu nas redes sociais: “Fim do uso das máscaras. Jamais irei fazer qualquer distinção entre vacinados e não vacinados. Vamos lutar pelo não uso de máscara quando tivermos com 70% de vacinados, ou já tiverem contraído a doença”.

O PL (Projeto de Lei) contra as máscaras chegou a ser protocolado na Câmara Municipal em agosto, mas ainda não foi discutido nas sessões ordinárias. No texto que justifica a proposta, Thiarles usou estudos não comprovados por órgãos científicos de como a medida iria beneficiar pessoas que sofrem de problemas respiratórios.

“O ar quente dentro da máscara pode dificultar a respiração e desencadear crises respiratórias, como crises de asma. Se a máscara for muito apertada, pode desencadear ansiedade, alterando padrões respiratórios e causando muito desconforto”, afirmou ele, mesmo sem estudos que comprovem isso. Na defesa do tema, reforçou ainda que o projeto visava desobrigar, e não impedir, que as pessoas usassem máscara na cidade.

Não há recomendações de órgãos de saúde nacionais ou internacionais que defendam o relaxamento do uso da máscara no Brasil. Nenhuma cidade brasileira deixou de recomendar o material de proteção contra o coronavírus.

O equipamento é obrigatório em Uberlândia, com base na legislação municipal apoiada pelo Comitê de Enfrentamento à Covid-19. A cidade registrou 134 novos casos nas últimas 24 horas e tem 66% dos leitos de UTI da rede municipal ocupados. Foram 3.055 mortes pela doença e mais de 120 mil casos, segundo último boletim.

Depois de testar positivo, o vereador disse nas redes sociais que estava se recuperando bem, com tratamento em casa, e que não precisaria ser hospitalizado. No entanto, o quadro se agravou e ele precisou ser internado dias depois. Na terça, Thiarles apresentou forte instabilidade. Uma traqueostomia para aliviar a situação chegou a ser cogitada, mas foi adiada. Com os pulmões muito comprometidos, não resistiu.

Advogado, Thiarles era natural de Teixeira de Freitas, interior da Bahia. Nas últimas semanas, Thiarles deixou claro o apoio às manifestações convocadas por Bolsonaro em 7 de setembro. Mesmo internado, o parlamentar pediu que sua equipe participasse de uma “motociata” em 31 de agosto, quando o presidente esteve em Uberlândia para a comemoração dos 133 anos da cidade.

Sem fazer menções ao projeto, o Legislativo local prestou condolências: “O vereador Thiarles Santos deixou sua história e legado na Câmara Municipal de Uberlândia nestes sete meses e vinte dias que passou conosco. Thiarles teve como função primordial representar os interesses da população perante o Poder Público”.

O Executivo determinou luto oficial: “É com grande pesar que a Prefeitura informa a notícia do falecimento do vereador Thiarles Santos. Em lamento e em solidariedade aos familiares e amigos, o prefeito Odelmo Leão determinou a decretação de luto oficial por três dias”.