Só em dezembro, foram 16 mil unidades vendidas. Consumidores se anteciparam ao aumento de imposto para importados. Veículos plug-in representaram 56% do total, superando os híbridos
As vendas de veículos leves eletrificados praticamente dobraram no no ano passado, com crescimento de 91% sobre 2022, segundo número divulgado nesta quarta-feira pela Associação Brasileira de Veículos Elétricos (ABVE). Foram 93.927 emplacamentos ante 49.245 em 2022.
Só em dezembro, as vendas chegaram a 16.279, quase o triplo das 5.587 de dezembro de 2022, um crescimento de 191%. Na avaliação da ABVE, os números de 2023 consolidam uma virada do mercado de eletrificados no Brasil.
Projeção feita pela Bright Consulting mostra que até 2030, os veículos eletrificados (híbridos e plug in) representarão 10% da frota brasileira, mesmo com a volta do Imposto de Importação sobre elétricos (que subirá gradativamente a partir de janeiro, quando começa em 12%, chegando a 35% em julho de 2026). Atualmente, esses veículos representam cerca de 0,5% da frota nacional.
O presidente da ABVE, Ricardo Bastos, avalia que o aumento do Imposto de Importação de veículos elétricos e híbridos, a partir de janeiro deste ano, provocou uma antecipação das vendas no último bimestre.
— Os números indicam principalmente uma sensível evolução desse mercado neste ano, com os veículos plug-in chegando a dois terços das vendas em dezembro — afirmou.
Com o lançamento, em dezembro, do Mover – Mobilidade Verde e Inovação, novo programa do governo federal para o setor automotivo, as montadoras terão mais clareza para organizar seus planos de investimento, tanto para veículos leves quanto para veículos pesados, como ônibus e caminhões, e também para infraestrutura de recarga elétrica, avalia Bastos.
A tendência de crescimento das vendas de eletrificados deverá se manter, mesmo com o aumento da carga tributária sobre os veículos elétricos e híbridos importados.
As marcas chinesas estão acelerando a eletrificação da frota no Brasil. Com uma estratégia que mescla preços mais atraentes — a partir de R$ 150 mil — e veículos com maior autonomia, além de muita tecnologia embarcada, os carros chineses já representam 35% do total de elétricos importados no país.
Avanço dos ‘plug-in’
Os veículos plug-in (que têm recarga externa das baterias) representaram 56% das vendas de eletrificados leves no ano, com 52.359 unidades, ultrapassando os híbridos convencionais HEV a gasolina e HEV flex (41.568), que até 2022 ainda dominavam esse segmento. Os veículos HEV combinam um motor a combustão a uma ou mais unidades elétricas.
Em dezembro, os plug-in atingiram 70% das vendas totais de eletrificados (11.371, de um total de 16.279), puxados pelas vendas das chinesas BYD e GWM, que lançaram novos modelos com essas tecnologias. Essas duas empresas se preparam para produzir veículos eletrificados no Brasil.
— Eram 0,4% (dos importados) em 2021 e 8% no ano passado. Este ano, o percentual de importados da China deve chegar a 35%, o que significa que um terço dos carros eletrificados do país é comprado dos chineses. Com o início da produção nacional da BYD e da GWM, o impacto será ainda maior — diz Murilo Briganti, sócio da consultoria Bright Consulting, especializada no setor automotivo, citando que as marcas chinesas já dominam o mercado.
O modelo mais vendido no ano passado foi o Toyota CCCross XRX Hybrid com 10.283 unidades, seguido pelo BYD Song Plus, com 7,9 mil unidades. A entidade ressalta que a Toyota já produz aqui e tem fatia relevante das vendas. O BYD Dolphin, a partir de R$149 mil, vendeu 5,9 mil unidades e ficou em quarto lugar.






