Manaus | 18 de julho de 2026 | 07:48:37

Uso crescente de remédios para emagrecer reduz ida às academias e ameaça saúde muscular da população

O acesso cada vez maior a medicamentos aplicados semanalmente para emagrecimento rápido como tirzepatida (Mounjaro e similares) e semaglutida (Ozempic e Wegovy) está alterando o comportamento da população brasileira que antes recorria às academias principalmente para perder peso. Agora, muitos adotam as “canetinhas” como primeiro recurso para emagrecer, deixando o exercício físico em segundo plano.

A mudança acende alerta entre profissionais da saúde, pois nem todo emagrecimento é sinônimo de saúde. Pesquisas científicas, incluindo estudos publicados no JAMA e no The New England Journal of Medicine, indicam que 30% a 40% do peso perdido com esses medicamentos pode ser massa muscular quando não há prática de treinamento de força.

A personal trainer Leda Passos, profissional com mais de 20 anos de experiência, dupla graduação em Educação Física e especializações em Cinesiologia e Fisiologia do Exercício, reforça que essa perda muscular pode custar caro no futuro:

“O medicamento emagrece, mas o exercício protege a musculatura e o futuro. Sem treinar, o corpo perde massa pela idade e perde ainda mais pela medicação. Além disso, a pessoa pode ficar magra, mas com beleza flácida, sem firmeza, com músculos frouxos e pele que não acompanha a perda de gordura um efeito que ninguém costuma perceber de imediato, mas que é visível com o tempo.”

Além da perda de massa, o uso recorrente dos medicamentos em ciclos — emagrece, suspende, engorda e retoma o tratamento — provoca novo emagrecimento sem recuperação muscular, gerando um déficit cumulativo ao longo dos anos.

📉 Possíveis consequências apontadas por especialistas

  • Sarcopenia precoce (perda severa de massa e força)
  • Envelhecimento funcional acelerado
  • Dores e fragilidade articular
  • Metabolismo mais lento
  • Redução da mobilidade e da autonomia
  • Flacidez e perda de firmeza da pele, a chamada “beleza flácida”
  • Maior risco para doenças crônicas

Para o Colégio Americano de Medicina do Esporte (ACSM), o treinamento de força é o principal determinante de longevidade funcional, mais relevante até do que o peso indicado na balança.

Leda alerta que a musculatura é o órgão da vitalidade:

“O músculo mantém o corpo jovem, forte, protegido e com menos dor. Se o emagrecimento acontece destruindo músculo, o preço será pago lá na frente.”

📌 Recomendações da ciência
Para quem utiliza agonistas de GLP-1, especialistas orientam:
✔️ Treinamento de força de 2 a 3 vezes por semana
✔️ Avaliação por profissional de Educação Física
✔️ Ingestão adequada de proteínas e calorias
✔️ Monitoramento da composição corporal (não apenas peso)

Profissionais destacam que o remédio não substitui o exercício pelo contrário, aumenta a necessidade dele. Se a tendência de uso indiscriminado continuar, o Brasil pode enfrentar uma geração com menos força, mais flácida e menos saudável antes do envelhecimento natural.

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