No sábado (3), o ministro Floriano de Azevedo Marques, do Tribunal Superior Eleitoral, indeferiu a candidatura de Deltan Dallagnol ao Senado pelo Paraná e determinou que os votos destinados a ele fossem considerados nulos.
Floriano foi nomeado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para integrar o TSE na classe dos juristas. Em julho de 2025, Lula assinou sua recondução para mais dois anos no tribunal, após indicação feita a partir de lista tríplice encaminhada pelo Supremo Tribunal Federal.
O contexto ganhou repercussão política porque Deltan foi uma das principais figuras da Operação Lava Jato. Como procurador da República, coordenou a força-tarefa que denunciou Lula e se tornou um dos principais nomes da operação que levou à condenação do petista, posteriormente anulada pelo STF por questões de competência processual.
A decisão de Floriano foi monocrática, ou seja, tomada individualmente, sem julgamento naquele momento pelo plenário do TSE.
Poucas horas depois, já neste domingo (4), o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, suspendeu os efeitos da decisão.
Nunes Marques entendeu que a retirada de um candidato da disputa na véspera da eleição, com efeitos imediatos sobre os votos dos eleitores, não deveria produzir consequências definitivas antes da manifestação do colegiado.
Com isso, Deltan permanece na disputa, sua candidatura volta à condição de “deferida com recurso” e os votos recebidos serão contabilizados. A palavra final sobre o registro, no entanto, ainda caberá ao plenário do TSE.
O episódio também colocou em evidência o histórico das nomeações dos dois ministros envolvidos.
Floriano de Azevedo Marques, nomeado por Lula para o TSE, foi responsável pela decisão que retirava da disputa um dos principais nomes ligados à Lava Jato e às acusações contra o atual presidente.
Já Kassio Nunes Marques, indicado por Jair Bolsonaro ao Supremo Tribunal Federal e atualmente presidente do TSE, suspendeu a medida e determinou que a controvérsia seja analisada pelo colegiado.
A suspensão não representa uma decisão definitiva sobre a elegibilidade de Deltan. Na prática, ela impede que a decisão individual de Floriano produza efeitos imediatos sobre a eleição antes da análise final do Tribunal Superior Eleitoral.






