Os candidatos à Presidência dos Estados Unidos, o atual presidente Joe Biden e o ex-presidente Donald Trump, se enfrentaram na noite da última quinta-feira (27) em Atlanta, no primeiro e provável único debate da campanha eleitoral deste ano, debate esse que pode ser decisivo para a acirrada disputa eleitoral.
O debate foi marcado pela tensão entre os candidatos, Trump encurralou Biden em temas-chave para o eleitorado americano, como imigração, guerras das quais os EUA se envolveu, aborto e a pandemia da Covid-19. À medida que cada um tentava mudar o que as pesquisas de opinião mostram que tem sido uma disputa praticamente empatada há meses.
Biden já começou o debate visivelmente cansado, com voz rouca e dificuldades para seguir linhas de raciocínio. A imprensa americana classificou sua performance como confusa, vacilante e catastrófica, o que pode mudar o cenário das eleições. Ainda segundo a imprensa, a reação do partido democrata foi de pânico. Biden não conseguiu tranquilizar seus partidários sobre sua idade, 81 anos, e sua capacidade para levar a campanha adiante.
Estrategistas disseram o que boa parte dos eleitores já sabia, que Biden não tem como vencer as eleições.
A plataforma Semafor escreve que o presidente ganhou algum fôlego à medida que a discussão avançava, fazendo críticas ao caráter e aos valores de Donald Trump, mas ressalta que “o estrago já estava feito.” Trump apareceu mais combativo e provocador, “multiplicando, como de costume, suas mentiras”.
Trump desencadeou uma enxurrada de críticas, muitas das quais eram falsidades há muito repetidas, incluindo alegações de que os imigrantes têm realizado uma onda de crimes, que os democratas apoiam o infanticídio e que ele realmente ganhou a eleição de 2020.
Um dos temas que se destacaram foi a gestão de Joe Biden na fronteira. Trump mencionou, com frequência, a questão da imigração ilegal, afirmando que o presidente estava permitindo a entrada de “terroristas” e “criminosos”, além de sugerir que a economia não está prosperando por causa do suposto roubo de empregos por imigrantes.
Durante o debate, Trump tentou explorar ao máximo o tema. Sempre que possível, tentou levar o rumo do debate para o tópico. A escolha faz parte da estratégia de campanha do republicano que, em 2017, viu propostas como a construção do muro com a fronteira do México atrair o eleitorado mais conservador e levá-lo à presidência. Em vários momentos, Trump afirmou que enquanto era presidente as fronteiras eram seguras e não havia “terroristas” nos EUA. Em paralelo, disse que Biden abriu as portas do país “para pessoas que vieram de hospitais psiquiátricos” e “criminosos”.
A questão do aborto foi um dos tópicos de maior embate entre os candidatos durante o debate. Trump declarou que não proibiria o acesso a pílulas abortivas e que é a favor das exceções aceitas para a realização do procedimento. Biden afirmou que apoia a proteção constitucional ao aborto e disse que políticos não podem opinar sobre a saúde da mulher.
Trump ao ser questionado sobre a invasão ao Capitólio se esquivou e se recusou a aceitar qualquer responsabilidade e afirmou que muitos dos presos eram inocentes.
Cada um chamou o outro de pior presidente da história; Biden se referiu a Trump como um “perdedor” e um “chorão”, enquanto Trump chamou Biden de “desastre”.
O debate não detalhou propostas de governo e teve vários ataques pessoais e insultos.
As eleições para presidente nos Estados Unidos acontecem em 5 de novembro. Joe Biden tenta a reeleição, enquanto Donald Trump quer voltar à Casa Branca, ele presidiu os EUA de 2017 a 2021 e perdeu as últimas eleições para Biden. As pesquisas de opinião mais recentes mostram uma ligeira vantagem para Trump.






