Manaus | 4 de junho de 2026 | 06:10:02

Trump sai em defesa de Bolsonaro, mas STF ignora ataque e evita confronto diplomático

Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiram não responder à postagem feita pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em que ele acusa a Corte brasileira de perseguir Jair Bolsonaro e defende o ex-mandatário como vítima de uma “caça às bruxas”.

Em nota publicada em sua rede social, Trump declarou que Bolsonaro está sendo injustamente punido por uma “Suprema Corte altamente politizada”, e sugeriu que o Brasil vive um momento de perseguição política. A declaração repercutiu amplamente entre aliados do ex-presidente brasileiro, mas não causou movimentação institucional por parte do Judiciário.

Nos bastidores, ministros do STF afirmaram que o comentário de Trump tem caráter exclusivamente político e não representa qualquer ameaça concreta à soberania ou às decisões da Justiça brasileira. “É apenas mais uma narrativa, sem consequência jurídica”, disse um dos integrantes da Corte, sob condição de anonimato.

A posição majoritária entre os magistrados é de que a resposta, se necessária, deve partir da esfera política e diplomática, não do Judiciário. Nesse sentido, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o Ministério das Relações Exteriores já se manifestaram de forma firme. Lula destacou que “o Brasil não aceita tutela nem interferência externa” e reforçou que “as instituições nacionais funcionam com independência”.

A Advocacia-Geral da União (AGU) também se posicionou, enfatizando a legitimidade do processo judicial conduzido contra Bolsonaro, e reafirmando a confiança nas instituições democráticas do país.

Ministros também avaliam que uma reação oficial por parte do STF poderia apenas reforçar a polarização e dar visibilidade desnecessária a uma fala considerada “abusiva e sem fundamento jurídico”. Segundo um magistrado, a declaração de Trump tende a surtir efeito apenas simbólico e até contraproducente: “Pode até aumentar a antipatia contra Bolsonaro”.

A decisão de não reagir publicamente sinaliza o desejo do Supremo de preservar o equilíbrio institucional e manter o foco na aplicação das leis, independentemente de pressões ou opiniões estrangeiras.

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