Manaus | 22 de julho de 2026 | 02:45:18

Transtornos alimentares: um desafio que afeta principalmente mulheres

Quando falamos em transtornos alimentares, muitas vezes pensamos apenas em questões ligadas à vaidade ou à busca por um “corpo perfeito”. Mas a realidade é muito mais complexa, especialmente para as mulheres, que estão entre as mais afetadas por essas doenças.

Anorexia, bulimia e compulsão alimentar são os transtornos mais conhecidos e estudados, segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5). Eles podem envolver a dificuldade de aceitação da própria imagem, a distorção do que se vê no espelho e, principalmente, muito sofrimento silencioso.

Não é frescura, nem vaidade

A psiquiatra Mireille Coelho, da Associação Brasileira de Transtornos Alimentares (Astral), lembra que esses distúrbios não podem ser reduzidos à ideia de “frescura”. Quando a relação com a comida começa a gerar dor, ansiedade ou impacto direto na saúde física e emocional, já estamos diante de um transtorno alimentar.

Em alguns casos, há sim a ligação direta com a autoimagem, mais comum em mulheres com anorexia. Mas existem outros quadros, como o transtorno alimentar restritivo evitativo (TARE), o transtorno do comer noturno ou a picafagia (ingestão de substâncias que não são alimentos, como sabonete ou giz). Nessas situações, o problema está mais na relação com o alimento em si do que na preocupação estética.

Sinais de alerta para mulheres

Muitos comportamentos podem indicar que algo não vai bem, como:

  • Evitar comer em público ou acompanhada;
  • Cortar grupos alimentares inteiros, como carboidratos ou açúcares;
  • Recusar convites para comer fora por medo de sair da dieta;
  • Manter regras rígidas de alimentação, mesmo em festas ou ocasiões especiais.

Esses sinais, quando constantes, podem ser um pedido de ajuda do corpo e da mente.

Transtornos “não especificados” também afetam

A nutricionista e criadora de conteúdo Ana Ribeiro destaca ainda que existem transtornos alimentares não especificados, quando a paciente não se encaixa em todos os critérios de diagnóstico. Um exemplo é o transtorno de purgação, em que se provocam vômitos ou se usam laxantes e diuréticos sem que tenha havido uma compulsão alimentar antes — diferente do que acontece na bulimia.

Consequências sérias

Além de abalar a autoestima e a vida social, os transtornos alimentares estão frequentemente ligados a outros problemas de saúde mental, como ansiedade, depressão e transtornos de humor. Também podem gerar danos físicos graves, incluindo alterações menstruais, problemas cardíacos e complicações gastrointestinais.

Falar e buscar apoio é fundamental

Para as mulheres, que muitas vezes crescem sob forte pressão estética e social, é essencial entender que transtornos alimentares não são escolhas nem fraquezas pessoais. São doenças sérias que precisam de atenção médica, acompanhamento psicológico e, principalmente, acolhimento.

Se alimentar deveria ser um gesto de cuidado e prazer. Quando vira fonte de dor e sofrimento, é hora de pedir ajuda. 💜

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