Manaus | 18 de julho de 2026 | 12:21:37

Trabalho que adoece: médicos lançam guia com alertas e cuidados para evitar afastamentos

Lesões, dores crônicas e transtornos mentais estão entre os principais motivos de afastamento do trabalho no Brasil e o número de casos só cresce. Para enfrentar esse cenário, a Associação Nacional de Medicina do Trabalho (Anamt) lançou nesta quinta-feira (21) um guia com orientações práticas para prevenir o adoecimento no ambiente profissional.

Voltado a trabalhadores, empresas, sindicatos e órgãos públicos, o documento digital busca mudar a forma como a saúde laboral é encarada: não só como um problema a ser tratado depois que a doença aparece, mas como algo que deve ser cuidado de forma contínua e preventiva.

Ciclo silencioso de afastamentos

Segundo dados da própria Anamt, mais de 330 mil trabalhadores maiores de 18 anos solicitaram afastamento ao governo federal apenas em junho deste ano. Desse total, 76% dos benefícios concedidos pelo INSS tiveram como causa doenças, desde lesões por esforço repetitivo e dores lombares até transtornos mentais e comportamentais.

“É um número que se repete mês após mês, com pequenas variações, compondo um ciclo silencioso de alto impacto econômico e social”, alerta a entidade.

Médico do trabalho não é só para atestado

O guia também procura desconstruir a ideia de que o papel do médico do trabalho se limita à emissão de laudos em admissões e demissões. A Anamt reforça que esses profissionais atuam sobretudo na prevenção, identificando sinais precoces de problemas e orientando tanto os trabalhadores quanto as empresas sobre mudanças necessárias para um ambiente mais saudável.

O que o guia ensina?

A publicação aborda temas essenciais da saúde ocupacional, como:

Importância de exames admissionais, periódicos e por mudança de função;

Reconhecimento de riscos físicos, químicos, biológicos e ergonômicos;

Perigos de ações comuns, como levantar peso excessivo ou repetir os mesmos movimentos por horas;

Danos provocados por máquinas sem proteção, exposição a ruídos ou variações de temperatura;

Necessidade do uso correto de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs).

Segundo o material, até fatores aparentemente simples como o barulho constante, a iluminação inadequada ou uma cadeira desconfortável podem se transformar, com o tempo, em gatilhos para doenças físicas ou mentais.

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