Transferência faz parte de acordo entre Israel e o grupo terrorista; do lado palestino, expectativa é de que 39 prisioneiros sejam soltos.
Em mais uma etapa do acordo firmado entre Israel e o grupo terrorista Hamas, 17 reféns foram libertados neste domingo, entre eles 13 israelenses, incluindo nove crianças e quatro mulheres, além de um homem com dupla nacionalidade russo-israelense e três tailandeses. Uma das reféns, de 84 anos, está internada em estado grave. Em troca, 39 prisioneiros palestinos foram liberados em Jerusalém Oriental e na Cisjordânia, enquanto lideranças políticas e diplomatas tentam negociar uma extensão do cessar-fogo, em vigor desde sexta-feira.
Inicialmente, as Forças Armadas informaram que eram 14 os israelenses libertados, um a mais do que os 13 previstos inicialmente. Mas depois chegou o esclarecimento: um dos reféns com cidadania de Israel, Roni Krivoy, de 25 anos, retornou para casa por ser cidadão russo. Ele é um técnico de som que trabalhava no festival perto do kibutz Re’im, no 7 de outubro, e foi capturado durante a invasão do local, onde morreram 360 pessoas.
Em comunicado, o Hamas sugeriu que a decisão deixá-lo voltar para Israel teve a participação do presidente Vladimir Putin. A porta-voz da Chancelaria russa, Maria Zakharova, disse que o trabalho da diplomacia “continuará” — há informações de que ao menos um cidadão russo continua detido.
Além do russo-israelense, uma menina de 4 anos, com cidadania israelense e americana, foi solta, confirmou o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden. Avigail Idan, que completou 4 anos no cativeiro, foi capturada no kibutz Kfar Aza — os pais dela foram mortos no ataque, e seus dois irmãos, Michael e Amalya, de 9 e 6 anos, conseguiram se esconder. Idan correu para a casa de vizinhos, e ali foi capturada junto com Hagar Brodutch, de 40 anos, e seus filhos Ofri, Yuval e Oriya, libertados neste domingo.
— [Idan] passou o seu aniversário e pelo menos 50 dias antes disso como refém do Hamas. Hoje, ela está livre, e eu e Jill [Biden, primeira-dama], juntamente com outros americanos, rezaremos para que ela fique bem —afirmou Biden, acrescentando: — O que ela viveu é inimaginável.
Um caso que inspirou atenção foi o de Elma Avraham, de 84 anos. Segundo o Hospital Soroka, em Be’er Sheva, ela precisou ser transportada por helicóptero por conta da gravidade de seu estado, considerado “crítico”. Elma foi capturada pelo Hamas no kibutz Nahal Oz, onde vivia desde 1974. Como relatou seu filho, ela disse que estava em um bunker no momento em que os militantes do Hamas invadiram o local, mas não conseguiu trancar a porta por ser muito pesada.
Também de Nahal Oz são as irmãs Ela e Dafna Elyakim, de 8 e 15 anos. Elas moram com a mãe na região Central de Israel, mas estavam no kibutz visitando o pai, Noam Elyakim, sua mulher Dikla Arava, e o filho dela, Tomer Arava — os três morreram no ataque do Hamas. A mãe das meninas, Mayaan Zin, escreveu um artigo no Washington Post pedindo a libertação imediata das duas: “Não tenho nada mais a pedir desse mundo, a não ser isso: me levem até minhas filhas. Me levem para Gaza”.
Em outro kibutz, o de Kfar Aza, viviam Chen Goldstein-Almog e três de seus quatro filhos: Agam, Gal, 11 e Tal. Enquanto eles foram levados para Gaza, o marido delas, Nadav Goldstein-Almog, e a filha mais velha, Yam, foram mortos. No mesmo kibutz mora Aviva Siegel, de 64 anos, libertada neste domingo. Ao contrário dos dias anteriores, os 13 reféns israelenses foram entregues através de uma passagem direta entre Gaza e Israel. Os demais transitaram pelo posto de Rafah, no Egito, por onde retornaram todos os reféns no sábado e na sexta-feira.
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Em troca dos reféns, Israel libertou 39 palestinos. Houve celebração em cidades como Ramallah e Beitunia, na Cisjordânia, onde forças de segurança israelenses entraram em confronto com a população local. Segundo a Cruz Vermelha Palestina, três adolescentes ficaram feridos, e duas crianças foram levados ao hospital depois de terem inalado gás lacrimogêneo. Ao contrário do primeiro dia de libertações, poucos dos que ganharam a liberdade quiseram conversar com a imprensa, com medo de represálias. Um deles, sem revelar a identidade, disse à Al Jazeera que todos foram mantidos em isolamento desde o início da guerra, uma denúncia repetida desde sexta-feira.
— Eu não quero ser identificado porque as autoridades israelenses nos ameaçaram antes de sermos libertados. Disseram para não falar nada, ou poderiam nos pegar de volta ou ferir nossas famílias — disse um dos prisioneiros soltos à Al Jazeera.
O acordo, anunciado na quarta-feira por meio da mediação do Catar, Estados Unidos e Egito, prevê a libertação de 50 reféns do Hamas em troca de 150 palestinos presos em Israel. Com o grupo deste domingo, 58 reféns foram soltos desde o início do cessar-fogo.
O texto contempla ainda uma trégua de quatro dias, proporcionando um alívio para os mais de dois milhões de habitantes da Faixa de Gaza, bombardeada e sitiada por Israel em resposta ao ataque do Hamas em 7 de outubro. Uma fonte próxima ao Hamas afirmou que o grupo terrorista está disposto a estender a trégua, que expira na segunda-feira, de “dois a quatro” dias. A ONU informou que 248 caminhões carregados com ajuda humanitária entraram na Faixa desde sexta-feira, onde 1,7 milhão de pessoas foram forçadas a deixar suas casas devido ao conflito.





