Em meio a uma situação de emergência no município de Tefé, causada por fortes tempestades e ventanias que destruíram residências em várias regiões, a gestão do prefeito Nicson Marreira (União Brasil) decidiu investir R$ 900 mil em um show do cantor Pablo durante a 22ª Festa da Castanha. O valor será pago pela Secretaria Municipal de Cultura, utilizando rubricas orçamentárias específicas, e a contratação foi feita sem licitação, conforme o contrato nº 06/2026, publicado no Diário Oficial dos Municípios.
A decisão gerou polêmica, principalmente em um momento em que a cidade ainda enfrenta os efeitos das chuvas severas, que obrigaram a prefeitura a decretar situação emergencial desde setembro do ano passado. A medida, que tem validade de 180 dias, já está em seu quarto mês, e a população e adversários políticos questionam o gasto elevado em um evento artístico enquanto a cidade ainda lida com os danos causados pelas tempestades.
Críticas também surgiram devido ao alto custo do show em comparação com apresentações do mesmo cantor em outras cidades. Por exemplo, em 2023, a Prefeitura de Itacoatiara contratou o mesmo show por R$ 250 mil, ou seja, R$ 650 mil a menos que o valor acordado para Tefé. Em 2024, a Prefeitura de Benjamin Constant também contratou o cantor por um valor bem inferior: R$ 270 mil.
O ex-candidato à Prefeitura de Tefé, Rosenildo Queiroz, conhecido como “Babalu” (DC), usou as redes sociais para questionar o gasto, postando uma crítica ao valor elevado, dizendo: “Chora não, Tefé. Ele não te ama. Ele só te faz sofrer”. A postura de Marreira tem sido vista por muitos como contraditória, visto que, enquanto a cidade ainda lida com os danos das chuvas, o foco parece estar em eventos de grande porte.
Até o momento, o prefeito não respondeu aos questionamentos sobre a necessidade do evento e a continuidade da emergência no município, gerando ainda mais insatisfação entre a população e opositores políticos.





