Manaus | 4 de junho de 2026 | 10:22:03

Tarifaço americano começa em agosto, mas Brasil escapa com 700 produtos

O governo dos Estados Unidos oficializou a aplicação de uma tarifa de até 50% sobre produtos brasileiros, mas surpreendeu ao excluir da medida cerca de 700 categorias de mercadorias. A lista de exceções inclui itens estratégicos como suco de laranja, petróleo e aeronaves civis, que continuarão entrando no país com a taxa padrão de 10%, já em vigor desde abril. A nova sobretaxa entra em vigor no próximo dia 6 de agosto e causou preocupação no agronegócio e na indústria exportadora brasileira.

Apesar do impacto anunciado, a decisão dos norte-americanos acabou poupando quase metade das exportações brasileiras, segundo dados do setor. Produtos como óleo bruto, celulose, madeira tropical, ferro-gusa, cobre, alumínio, peças automotivas, simuladores de voo e castanhas-do-Pará não serão afetados pela nova alíquota. Analistas interpretam essa lista como fruto de intensa articulação diplomática e da dependência americana em relação a certos insumos produzidos no Brasil.

A notícia foi bem recebida por empresas como a Embraer, que tem forte presença no mercado norte-americano de aviação comercial. Com a confirmação de que suas aeronaves e componentes ficarão fora do tarifaço, as ações da companhia reagiram positivamente no mercado financeiro. O setor siderúrgico, exportador de celulose e a cadeia de derivados de petróleo também foram beneficiados com a exclusão da tarifa adicional.

Por outro lado, alguns dos principais produtos do agronegócio foram deixados de fora da lista de exceções e passarão a ser taxados em 50%: é o caso do café, das carnes bovina e suína, além de frutas tropicais como manga, goiaba e abacaxi. Exportadores desses setores já demonstram preocupação com a perda de competitividade e temem retração nas vendas para o mercado americano.

A decisão do governo norte-americano, embora amparada por argumentos técnicos, foi criticada por entidades brasileiras. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) pediu que o governo brasileiro reaja diplomaticamente e considere levar o caso à Organização Mundial do Comércio (OMC), alegando que a medida distorce as relações comerciais e prejudica setores sensíveis da economia nacional.

Desde abril, os EUA já aplicam uma tarifa fixa de 10% sobre a maioria das importações brasileiras. Com o novo decreto, aprovado pelo Departamento de Comércio, será somada uma alíquota extra de 40% para os itens que não estão na lista de exceções. Embora não envolva formalmente uma decisão presidencial, a medida integra uma estratégia mais ampla de controle de importações e estímulo à indústria doméstica norte-americana.

Com isso, o Brasil se vê diante de um cenário misto: alívio para parte dos exportadores, como os dos setores de aviação, energia e minerais; e tensão para quem atua com proteína animal, café e frutas, que agora terão que lidar com barreiras mais pesadas para manter sua presença no competitivo mercado dos Estados Unidos.

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