Ela é uma das principais expoentes da viticultura do país e compartilha o amor pelos vinhos com os filhos.

Fruto da família tradicional argentina, Susana Balbo mostrou todo o poder que uma mulher pode ter. Ela deixou de cursar Física Nuclear por proibição dos pais, que não permitiram que ela saísse de Mendoza em pleno governo militar. E que bom. A mudança de rota a levou a estudar enologia e a consagrou como uma das principais expoentes do vinho argentino.

Mas trilhar o caminho até aqui não foi fácil. Ela foi a primeira enóloga formada na Argentina, no fim da década de 1970, e precisou enfrentar um ambiente machista e conservador no único trabalho que conseguiu.

“Precisei mostrar que tinha talento. E, para isso, passei muitas horas trabalhando e alcançando resultados positivos na busca por respeito. Essa era a única forma pela qual uma mulher era respeitada nesta profissão, pelo menos naqueles anos. Mostrei que tinha um talento que não podia ser contestado”, lembrou em entrevista exclusiva ao Metrópoles.

Ser mulher também confere um diferencial aos vinhos produzidos por Susana. De acordo com a filha dela, Ana Lovaglio, que trabalha na administração da empresa, “as mulheres têm uma sensibilidade diferenciada e, assim, conseguem entregar vinhos mais expressivos, sedosos, equilibrados e polidos”.

Para todos os gostos

Os rótulos da Susana Balbo Wines oferecem diversidade. Por lá, eles produzem mais de oito tipos de uvas, como, por exemplo, as tradicionais Malbec, Chardonnay e Cabernet Sauvignon. Mas também algumas não tão comuns aos olhares leigos, como Torrontés, Petit Verdot e Chenin.

De acordo com Ana, as uvas impactam de forma direta no estilo final dos vinhos. E são elas que possibilitam a variedade de aromas, texturas, estruturas e teor alcoólico. “Somos conhecidos por apostar muito na inovação. É uma das principais adegas da Argentina que investe não só nos tintos, mas também nos brancos e rosés de alto nível”, completa.

No espaço, o produto final deve ser entregue de forma impecável. Afinal, a própria Susana Balbo defende que “o melhor marketing é a qualidade”.

No Brasil, os produtos Susana Balbo Wines são importados pela Cantu.

De geração em geração

Hoje, Susana Balbo divide a paixão pelos vinhos e o trabalho do dia a dia com os filhos Ana e José Lovaglio. Enquanto Ana toma conta da parte mais administrativa da empresa, José compõe a equipe de enologia com a mãe e os especialistas Gustavo Bertagna e Sebastián Gava.

“É uma grande alegria vê-los envolvidos e entusiasmados com um projeto de vida que, um dia, irá passar para a direção deles”, pontua Susana. A enóloga ressalta ainda que é importante que eles tenham um futuro e possam projetar algo para os próprios filhos.

“Me alimenta espiritual e afetivamente pensar que meu trabalho e meu sonho transcendem por mais de uma geração. Poder ter minha família e meus filhos envolvidos no que fiz com tanto amor e esforço me dá uma sensação de dever cumprido”, revela.

De acordo com Ana, ela e o irmão aprenderam pelo exemplo. “Pudemos ver com atos e ações que não há outra forma de conseguir as coisas, se não com trabalho, consistência e perseverança.”

Susana Balbo para iniciantes

Apreciadora dos mais variados tipos de vinhos, Susana Balbo confessa ter alguns rótulos favoritos. Ela destaca o Torrontés, pelo trabalho que tem feito com esta uva; e o Cabernet Sauvignon, um vinho exigente e que não permite erros. “Por isso acho que gosto tanto, porque gosto de desafios”, enfatiza.

Enquanto os anos de experiência a levaram a essas preferências, ela lembra algumas dicas para quem está começando a se aventurar no universo da bebida de Baco.

“Se você não sabe muito, o preço é um bom indicador de qualidade. Mas você sempre pode começar de menos para mais. Na faixa mais econômica é possível encontrar vinhos muito bons e mais simples. Assim, quando se sentirem confiantes, podem gastar mais e apreciar a complexidade de rótulos com preços mais elevados”, começa a enóloga.

Ela ressalta ainda a importância de respeitar as temperaturas de consumo, “pois tornam a experiência totalmente diferente”.

Outra dica é se guiar pelas pontuações dos rótulos. “O importante é encontrar o provador com quem você compartilha o paladar. Depois é só seguir as recomendações desse crítico, que terá um gosto parecido com o seu”.

Fonte: Metrópoles