O Sistema Único de Saúde (SUS) começou a oferecer, desde agosto de 2025, uma nova tecnologia que promete mudar a forma de prevenir o câncer do colo do útero no Brasil. Trata-se do teste molecular de DNA-HPV, exame totalmente desenvolvido no país e considerado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) o padrão-ouro para rastreamento da doença.
Diferente do tradicional exame de Papanicolau, que identifica alterações já visíveis nas células, o novo teste é capaz de detectar 14 tipos de HPV de alto risco antes mesmo que apareçam lesões. Isso significa diagnóstico muito mais precoce, o que aumenta as chances de tratamento eficaz e reduz significativamente a mortalidade causada pela doença.
Além de ser mais sensível, o exame traz outras vantagens: os resultados inconclusivos são menos frequentes e, caso o teste seja negativo, a repetição só precisa ser feita a cada cinco anos contra os três anos recomendados no Papanicolau.
No primeiro momento, a tecnologia está disponível em 12 estados e no Distrito Federal: Bahia, Ceará, Goiás, Minas Gerais, Pará, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Rondônia, São Paulo e DF. Em cada unidade federativa, um município foi escolhido para iniciar a implementação. A meta do Ministério da Saúde é que, até dezembro de 2026, o exame esteja acessível em toda a rede pública, beneficiando cerca de 7 milhões de pessoas com útero, entre 25 e 64 anos, todos os anos.
Podem realizar o teste mulheres cis, homens trans, pessoas não binárias e intersexo que possuam colo do útero. A coleta é semelhante à do Papanicolau: uma amostra é retirada do colo uterino durante a consulta e enviada para análise laboratorial.
Especialistas comemoram a novidade. “Esse é um avanço histórico para o Brasil. Estamos oferecendo uma tecnologia nacional, mais precisa, que pode salvar milhares de vidas ao permitir a detecção precoce do HPV”, destacou a Fiocruz, instituição responsável pelo desenvolvimento do exame.
O câncer do colo do útero é um dos mais incidentes entre mulheres brasileiras e, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), provoca mais de 6 mil mortes por ano no país. A combinação da vacinação contra o HPV e do rastreamento com o novo teste coloca o Brasil em sintonia com a estratégia global da OMS para eliminar a doença como problema de saúde pública até 2030.
Com o novo teste, o SUS dá um passo fundamental para democratizar o acesso a diagnósticos de ponta, reforçando seu papel como referência em saúde pública gratuita e de qualidade.





