Manaus | 26 de julho de 2026 | 01:07:22

“Só retorno com anistia! Fora isso, cadeia”: Eduardo Bolsonaro desafia Justiça e pressiona por perdão

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) afirmou nesta terça-feira (23/9) que só retornará ao Brasil se houver uma anistia geral aos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro. Em entrevista ao programa Contexto Metrópoles, o parlamentar, que está autoexilado nos Estados Unidos desde março, disse que, sem anistia, sua volta significaria “ir direto para a cadeia”.

“Eu só consigo retornar ao Brasil se houver anistia. Fora isso, eu retorno ao Brasil para ir direto para a cadeia. E eu não sou bandido”, afirmou Eduardo.

O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro voltou a atacar o Judiciário, alegando ser vítima de “perseguição política” por parte de autoridades que, segundo ele, “querem se perpetuar no poder”.

“Eu não estou preocupado com eleição, não estou preocupado com o meu cargo, estou preocupado em libertar o Brasil e dar um caminho democrático”, disse.

Conselho de Ética abre processo que pode levar à cassação

A declaração do deputado ocorre no mesmo dia em que o Conselho de Ética da Câmara dos Deputados instaurou um processo disciplinar contra ele por quebra de decoro parlamentar. A ação foi motivada por uma das quatro representações que tramitam no colegiado, todas com potencial de levar à cassação de seu mandato.

O processo está relacionado à atuação de Eduardo fora do país, onde, segundo os autores da denúncia, o parlamentar vem atacando instituições brasileiras e tentando influenciar autoridades dos EUA a impor sanções contra ministros do STF, membros da PGR e da Polícia Federal.

O relator do caso ainda será escolhido entre os deputados Duda Salabert (PDT-MG), Paulo Lemos (PSOL-AP) e Delegado Marcelo Freitas (União Brasil-AP), sorteados na reunião do colegiado.

De anistia ampla à “PEC da Dosimetria”

As falas de Eduardo Bolsonaro coincidem com o avanço da proposta de anistia na Câmara dos Deputados. O texto inicialmente chamado de “PL da Anistia” teve a urgência aprovada na última quarta-feira (17/9), com 311 votos favoráveis e 163 contrários. A proposta, no entanto, enfrenta resistência dentro do próprio Congresso.

O deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), escolhido relator da matéria, já sinalizou que não deve incluir uma anistia ampla, mas sim medidas para reduzir as penas dos condenados, sem extinguir as sanções.

A base do projeto vem de uma proposta apresentada por Marcelo Crivella (Republicanos-RJ) em 2023, que previa perdão para atos cometidos entre 30 de outubro de 2022 e a data de sanção da futura lei. O texto ainda deverá sofrer alterações significativas ao longo da tramitação.

Autoexílio e clima de tensão

Desde que deixou o país, Eduardo Bolsonaro vem intensificando o discurso contra o STF e a Justiça Eleitoral, alegando perseguição e censura. Ele também passou a ter participação ativa em eventos e entrevistas com lideranças conservadoras internacionais, em uma estratégia de mobilização externa.

Suas recentes declarações reforçam o clima de tensão entre bolsonaristas e o sistema de Justiça brasileiro em um momento em que o STF tem ampliado as condenações relacionadas ao 8 de janeiro e ao suposto plano de golpe investigado pela Polícia Federal.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Relacionados

Espaço Publicitário

Últimas postagens