Manaus | 31 de julho de 2026 | 23:41:36

Setores do agro e mercado preparam ofensiva contra governo Lula

Lideranças do agronegócio e do setor empresarial se mobilizam para reverter os vetos impostos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva à regulamentação da reforma tributária. O foco da insatisfação está na exclusão de dispositivos que impediam a cobrança de impostos sobre os fundos de investimento imobiliário (FIIs) e os fundos de agronegócio (Fiagro), dois setores considerados estratégicos para a economia brasileira. Após a recente crise envolvendo as mudanças nas regras do Pix, que visavam aumentar a arrecadação e reduzir a sonegação fiscal, os grupos veem uma oportunidade de fazer frente ao governo e pressionar por mudanças.

O veto de Lula foi mal recebido pela bancada ruralista e pela Frente Parlamentar do Empreendedorismo (FPE), que representam, respectivamente, o setor agropecuário e o empreendedorismo. Ambas as frentes denunciam a postura do governo de aumentar a carga tributária por meio da taxação de setores estratégicos. Nos bastidores do Congresso, líderes dessas bancadas articulam uma ofensiva para reincluir os trechos vetados da reforma tributária. Eles pretendem que a votação aconteça logo após a aprovação do Orçamento de 2025 e, possivelmente, depois da eleição das novas presidências da Câmara e do Senado.

A oposição, que já havia se organizado durante a crise do Pix, acredita que pode novamente usar as redes sociais para mobilizar a opinião pública. Segundo a Frente da Agropecuária, os fundos imobiliários possuem quase 3 milhões de investidores, enquanto os fundos do agronegócio beneficiam cerca de 600 mil pequenos investidores. Esse apoio pode gerar uma pressão significativa sobre o governo, como ocorreu na crise do Pix, quando o Planalto precisou recuar após um forte movimento de desinformação sobre o impacto das novas regras.

A bancada ruralista, conhecida como “bancada do boi”, é uma das maiores forças políticas do Congresso. Com 302 deputados e 50 senadores, ela detém 58% dos assentos na Câmara e 61% no Senado. O grupo já declarou que trabalhará ativamente para derrubar os vetos presidenciais. “A FPA trabalhará no Congresso Nacional para derrubar o veto presidencial”, afirmou o líder da bancada, deputado federal. Essa mobilização mostra que o agronegócio, setor essencial para a economia brasileira, não aceitará passivamente o aumento da carga tributária sobre suas atividades.

Além do agro, o setor empresarial também se mostrou preocupado com os vetos de Lula. A Frente Parlamentar do Empreendedorismo (FPE), composta por 207 deputados e 46 senadores, tem forte representação no Congresso, com 40% da Câmara e 56% do Senado. O grupo, liderado pelo deputado Joaquim Passarinho (PL-PA), manifestou sua preocupação com a possível taxação de fundos como o Fiagro e o FII, fundamentais para investimentos em cadeias agroindustriais e no mercado imobiliário. A FPE alerta para os impactos que essa medida poderia ter no ambiente de negócios, especialmente em um momento de recuperação econômica.

Em resposta à crescente pressão, o governo de Lula, por meio de seu Ministério da Fazenda e da Advocacia-Geral da União, se posicionou favoravelmente aos vetos, argumentando que as medidas eram necessárias para garantir a equidade do sistema tributário. No entanto, a crise do Pix, que afetou principalmente os empreendedores informais, ainda está fresca na memória política. O governo recuou diante da pressão pública e da reação negativa de setores empresariais e investidores, sendo forçado a revogar as normas de fiscalização.

Agora, o Planalto busca evitar uma nova crise, abrindo uma rodada de negociações com o Legislativo para suavizar os impactos das novas propostas tributárias. Lula já demonstrou interesse em aproximar-se do setor empresarial e está disposto a trabalhar com os representantes desses grupos para encontrar uma solução que atenda a ambos os lados, evitando mais desgaste político. A expectativa é que, até 2026, o governo busque reduzir a resistência do setor empreendedor e dos investidores por meio de iniciativas como o programa Acredita, voltado para fomentar o empreendedorismo.

A gestão do governo Lula tem enfrentado dificuldades em lidar com a comunicação e a percepção pública de suas políticas econômicas. O episódio do Pix é um exemplo claro de como a falta de clareza e a resistência de determinados setores podem gerar crises que impactam diretamente a imagem do governo. A estratégia de negociação será crucial para que Lula consiga mitigar os efeitos negativos e seguir com sua agenda econômica sem novos embates tão intensos.

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