BRASÍLIA. Uma batalha cibernética que vem sendo travada pelos oito países que integram a região amazônica e a bilionária empresa Amazon foi denunciada hoje no plenário pelo senador Plínio Valério (PSDB-AM), que acusou a multinacional de “pirataria digital”. A guerra jurídica internacional começou em 2012, quando a Icann, uma organização privada que recebeu do Governo dos Estados Unidos um mandato para dirigir a internet, permitiu que se aumentasse o número de “gTLD”, o último sobrenome dos domínios da internet. O mais conhecido deles é o .com, seguido pelo .gov, ou .leg.  A partir desse momento permitiu-se que qualquer empresa ou instituição possa criar um novo “gTLD” ao custo de US$180 mil pagos à Icann.  Nessa brecha, a Amazon  comprou o “ .amazon”  como sobrenome nos domínios da Internet, inciando a guerra que hoje envolve o Itamaraty. 

É aqui que entra de novo a rapinagem da Amazônia. Amazon não é apenas um cognato inglês para a palavra Amazônia do português e do espanhol. A palavra Amazônia designa uma das mais relevantes áreas da Terra, identificando-se com um conceito geográfico, mas representa todo um amplo conjunto de manifestações e interesses culturais, históricos, políticos, ambientais, econômicos. É uma questão identitária de amplitude difícil de até definir . Como se não bastasse a pilhagem que sofremos ao longo do séculos, agora somos vítimas de pilhagem cibernética.

A Amazon.com nos roubou o nome Amazônia e reluta em devolver _ protestou Plínio Valério, lembrando o caso em que o Japão tentou patentear o cupuaçu amazônico. 

Para tentar acabar com a disputa envolvendo de um lado oito países com 400 milhões de pessoas, e do outro uma entidade privada, a Amazon está propondo um acordo nos seguintes moldes: instituições, empresas, até pessoas da região amazônica poderiam adotar domínios no gTLD Amazon, ou seja, dentro do .amazon poderia existir um .br.amazon, no caso brasileiro; um .co.amazon, no caso da Colômbia; ou um .eq.amazon, no caso do Equador, por exemplo, além de pagar U$5 milhões a cada um desses países.

Não podemos, não devemos nos curvar a uma cartada ousada de uma empresa privada, ainda que a disputa se trave em um terreno muito mais pantanoso do ponto de vista jurídico. O que impressiona, em ambos os casos, é a insistência de setores privados a fazer pirataria com marcas e interesses nacionais, como se tenta fazer com a Amazônia reagiu o senador amazonense.

 Apesar da tentativa de acordo, a empresa não quer abrir mão do domínio .amazon, que pertence à Amazon . Ou seja, o nome Amazônia hoje pertence a uma empresa privada.

O mais constrangedor de tudo é que  a multimilionária Amazon ofereceu a cada país envolvido durante o processo US$ 5 milhões em troca de aceitarem o registro do domínio, coisa típica de quem pensa que tudo no mundo, até mesmo a dignidade nacional ou o respeito ao próprio nome, tem algum preço disse Plínio Valério, citando  artigo do Professor Marcos Dantas, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, que integra o Comitê Gestor da Internet no Brasil. Agora está se travando essa briga cibernética.