Manaus | 27 de julho de 2026 | 14:50:14

“Secar os recursos, estrangular o crime”: Haddad comenta megaoperações contra facções e lavagem de dinheiro

Antônio Cruz/Agência Brasi

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta quinta-feira (28) que o combate ao crime organizado deve ir além das prisões e se concentrar em estrangular financeiramente as organizações criminosas.

“Você seca a fonte dos recursos, para impedir que a atividade criminosa seja abastecida”, declarou o ministro durante coletiva de imprensa convocada para comentar as operações realizadas nesta manhã por diferentes órgãos de investigação e controle financeiro.

Segundo Haddad, as operações que vêm sendo executadas são o verdadeiro “caminho das pedras” para atingir o núcleo econômico do crime e não apenas seus operadores de base.

O foco agora é o dinheiro, diz ministro

Durante a coletiva, Haddad explicou que o objetivo é usar a inteligência do Estado para identificar fraudes sofisticadas e mecanismos financeiros estruturados que sustentam a criminalidade.

“Se você prende uma pessoa, mas o dinheiro fica à disposição do crime, essa pessoa é substituída por outra. Mas se você bloqueia os ativos, você estrangula a operação como um todo”, afirmou.

O ministro citou bloqueios de centenas de imóveis, veículos e patrimônios durante as ações desta quinta, que somam valores que podem ultrapassar a casa dos bilhões de reais.

As três operações que miram o poder financeiro do crime

Na manhã desta quinta-feira (28), foram deflagradas três grandes operações em diferentes estados, com foco em fraudes, lavagem de dinheiro e organizações criminosas. Veja os destaques:

Operação Carbono Oculto – MPSP

Investigação do Ministério Público de São Paulo contra fraudes no setor de combustíveis, com infiltração do PCC.

Fraudes em mais de mil postos, com combustível adulterado ou em menor volume.

Prejuízo estimado: R$ 7,6 bilhões em sonegação de tributos.

1.400 agentes atuando em 350 alvos em 8 estados.

Operação Quasar – Polícia Federal

Ação mira lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta de instituições financeiras.

Esquema com fundos de investimento usados para ocultar patrimônio ilícito.

Atuação complexa com múltiplas camadas societárias e transações simuladas.

Operação acontece inclusive na Avenida Faria Lima, em São Paulo.

Operação Tank – PF no Paraná

Uma das maiores redes de lavagem de dinheiro já identificadas no estado.

Grupo operava desde 2019 e teria lavado R$ 600 milhões, movimentando R$ 23 bilhões.

Rede incluía postos de combustíveis, holdings, empresas de cobrança e até instituições de pagamento autorizadas pelo Banco Central.

Mandados em execução nos estados do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro.


Estratégia de longo prazo

Haddad reforçou que a atuação conjunta da Fazenda com a Polícia Federal, o Ministério Público e o CNJ segue uma lógica de inteligência e rastreamento patrimonial.

“Estamos falando de estruturas que se sofisticaram. Agora o Estado também está se sofisticando”, afirmou o ministro.

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