O resultado da eleição da Venezuela é alvo de desconfiança de autoridades internacionais depois de o presidente Nicolás Maduro, no cargo há 11 anos, ter sido declarado vencedor pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE). O órgão responsável pelas eleições no país é presidido por um aliado de Maduro.
Representantes dos EUA e de países da América e da Europa cobraram a divulgação de todas as atas de votação e a demonstração detalhada dos votos registrados pelos eleitores no domingo.
Quem contestou resultado:
- Estados Unidos – secretário de Estado, Antony Blinken
- União Europeia – vice-presidente, Josep Borrell Fontelle
- Reino Unido – Ministério das Relações Exteriores
- Chile – presidente Gabriel Boric
- Alemanha – Ministério das Relações Exteriores
- Argentina – presidente Javier Milei
- Uruguai – presidente Luis Lacalle Pou
- Espanha – ministro das Relações Exteriores, José Manuel Albares
- Itália – vice-primeiro-ministro, Antonio Tajani
- Equador – presidente Daniel Noboa
- Peru – ministro das Relações Exteriores, Javier Gonzalez-Olaecha
- Colômbia – ministro das Relações Exteriores, Luis Gilberto Murillo
- Guatemala – presidente Bernardo Arevalo
- Panamá – presidente José Raúl Mulino
Na contramão, presidentes e autoridades de países como Rússia, China, Honduras, Cuba, Bolívia e Nicarágua, parabenizaram Maduro pela vitória.
EUA
O chefe da diplomacia norte-americana, Antony Blinken, expressou desde o Japão a sua “séria preocupação” de que o resultado eleitoral anunciado na Venezuela não reflita a vontade do povo. Pouco antes, Blinken havia pedido uma recontagem “justa e transparente” dos votos nas eleições presidenciais da Venezuela.
— Agora que a votação foi concluída, é de vital importância que cada voto seja contado de forma justa e transparente. Apelamos às autoridades eleitorais para que publiquem a contagem detalhada dos votos (atas) para garantir a transparência e a prestação de contas — indicou.
Chile
O presidente chileno, Gabriel Boric, afirmou que o país não vai reconhecer nenhum resultado que não seja verificável. Boric disse que os resultados anunciados pela autoridade eleitoral venezuelana são “difíceis de acreditar” e também exigiu “total transparência das atas e do processo”.
“O regime de Maduro deve entender que os resultados publicados são difíceis de acreditar. A comunidade internacional e sobretudo o povo venezuelano, incluindo os milhões de venezuelanos no exílio, exige total transparência das ações e do processo, e os observadores internacionais não se comprometem com o governo na conta da veracidade dos resultados. Desde o Chile não reconheceremos nenhum resultado que não seja verificável”, escreveu em um pronunciamento após a divulgação do resultado.
Argentina
“MADURO DITADOR, FORA!!!”, escreveu o presidente argentino, Javier Milei, em sua conta no X antes da divulgação dos resultados oficiais na Venezuela.
“Os venezuelanos optaram por acabar com a ditadura comunista de Nicolás Maduro. Os dados anunciam uma vitória esmagadora da oposição e o mundo espera que esta reconheça a derrota depois de anos de socialismo, miséria, decadência e morte”, acrescentou.
“A Argentina não vai reconhecer outra fraude e espera que desta vez as Forças Armadas defendam a democracia e a vontade popular. A liberdade avança na América Latina”, disse Milei, aludindo ao nome de seu movimento ultraliberal.
Espanha
O ministro dos Negócios Estrangeiros espanhol, José Manuel Albares, pediu nesta segunda-feira à Venezuela que garanta “total transparência” na contagem dos votos depois das polémicas eleições em que o Presidente Nicolás Maduro foi reeleito.
— Queremos total transparência e por isso pedimos a publicação da ata tabela por tabela — declarou Albares em entrevista à rádio Cadena Ser, acrescentando: — Queremos que a transparência seja garantida. Neste momento temos alguns números brutos que foram fornecidos e, como podem ver, há uma divisão de opiniões.
Peru
O chanceler peruano, Javier González-Olaechea, anunciou no X que chamará o embaixador peruano na Venezuela para consulta “dados os gravíssimos anúncios oficiais das autoridades eleitorais venezuelanas”.
Costa Rica
O presidente da Costa Rica, Rodrigo Chaves, afirmou em uma mensagem no X que “repudia categoricamente a proclamação de Nicolás Maduro como presidente da República Bolivariana da Venezuela, que consideramos fraudulenta”.
Uruguai
Para o presidente uruguaio, Luis Lacalle Pou, “não se pode reconhecer uma vitória se não se confia na forma e nos mecanismos utilizados para alcançá-la”. Em uma publicação no X, acrescentou: “Era um segredo aberto. Eles iam ‘ganhar’ sem prejuízo dos resultados reais. O processo até ao dia da eleição e da contagem foi claramente falho.”
Guatemala
“A Venezuela merece resultados transparentes, precisos e que correspondam à vontade do seu povo”, escreveu o presidente da Guatemala, o social-democrata Bernardo Arévalo, que também disse ter recebido os resultados ‘com muitas dúvidas’. E acrescentou: “São essenciais os relatórios das missões de observação eleitoral, que hoje, mais do que nunca, devem defender o voto dos venezuelanos.”
Colômbia
O ministro das Relações Exteriores da Colômbia, Luis Gilberto Murillo, pediu nesta segunda-feira uma “contagem total dos votos, verificação e auditoria independente” para “esclarecer quaisquer dúvidas sobre os resultados”.
União Europeia
O chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Josep Borrell, pediu nesta segunda-feira que a Venezuela garanta “total transparência do processo eleitoral, incluindo a contagem detalhada dos votos e o acesso aos relatórios das seções eleitorais”.
Itália
O ministro das Relações Exteriores italiano, Antonio Tajani, disse ter “muitas dúvidas sobre a condução regular das eleições na Venezuela”. Em uma publicação no X, Tajani exigiu “resultados que possam ser verificados.”
Reino Unido
O Ministério das Relações Exteriores do Reino Unido disse estar preocupado com as alegações de “irregularidades graves” e pediu “a publicação rápida e transparente dos resultados completos e detalhados”.
Comemoração de aliados
Pouco após a divulgação do resultado eleitoral, governos aliados ou simpáticos ao regime chavista parabenizaram Nicolás Maduro, reconhecendo o resultado divulgado pelo CNE. Entre os países que reconhecem a reeleição estão Cuba, Nicarágua e Rússia. A China, que mantém laços estreitos com Caracas, também parabenizou o chavista.
“Hoje, a dignidade e a coragem do povo venezuelano triunfaram sobre as pressões e manipulações”, comemorou o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, no X.
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, felicitou Maduro nesta segunda-feira: “As relações entre a Rússia e a Venezuela constituem uma parceria estratégica. Confio que o seu trabalho à frente do Estado continuará a contribuir para o seu desenvolvimento progressivo em todas as áreas”, disse Putin num telegrama enviado a Maduro, segundo um comunicado do Kremlin. “Lembre-se de que você é sempre bem-vindo em solo russo”, acrescentou.
Palavras semelhantes foram usadas por um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, afirmando que Pequim está pronto para “enriquecer a parceria estratégica” com o país latino-americano.
O presidente da Bolívia, Luis Arce, saudou que “a vontade do povo venezuelano foi respeitada nas urnas”, ao mesmo tempo que ratificou a sua “vontade de continuar fortalecendo nossos laços de amizade”.
O líder de Nicarágua, Daniel Ortega, enviou um “abraço fraterno” a Maduro, enviando ao presidente “nossa homenagem e saudação, em honra, glória e por mais vitórias”. Por sua vez, a presidente de Honduras, Xiomara Castro, parabenizou Maduro por “seu triunfo inquestionável, que reafirma sua soberania e o legado histórico do comandante @chavezcandanga”, o falecido Hugo Chávez, que o ungiu como seu sucessor.






