Manaus | 5 de junho de 2026 | 01:42:35

Saiba como anticoncepcional pode afetar seu humor

Cerca de 85% das mulheres usam contraceptivos hormonais por pelo menos cinco anos ao longo da vida. Por mais que o objetivo principal seja o controle da natalidade, muitas pessoas também usam contraceptivos hormonais para tratar de uma série de sintomas relacionados à menstruação, desde cólicas e acne até alterações de humor.

Entretanto, para até 10% das mulheres, os contraceptivos humanos podem aumentar o risco de depressão. Mas como a alteração dos níveis de hormônios com contraceptivos hormonais afeta a saúde mental?

Para compreender como os contraceptivos hormonais afetam o humor pode ajudar os pesquisadores a prever quem irá sofrer efeitos positivos ou negativos. 

A forma mais comum de contraceptivo hormonal é a “pílula”, via oral, uma combinação de formas sintéticas de estrogênio e progesterona, dois hormônios envolvidos na regulação do ciclo menstrual, ovulação e gravidez.

O estrogênio coordena a liberação programada de outros hormônios e a progesterona mantém a gravidez. 

Pode parecer um contrassenso. Por que os hormônios de ocorrência natural necessários para a gravidez servem para evitar a concepção? E por que tomar o hormônio reduz os níveis daquele mesmo hormônio no corpo?

Os ciclos hormonais são rigorosamente controlados pelos próprios hormônios.

Quando os níveis de progesterona aumentam, ela ativa processos celulares que suspendem a produção de mais progesterona. É o chamado ciclo de feedback negativo.

O estrogênio e a progesterona da pílula diária – ou outras formas comuns de contraceptivos, como implantes ou anéis vaginais – fazem com que o corpo reduza a produção desses hormônios, até atingir os níveis observados fora da janela fértil do ciclo menstrual.

Isso interrompe o ciclo hormonal rigorosamente orquestrado e necessário para a ovulação, menstruação e gravidez.

Efeitos dos contraceptivos hormonais no cérebro

Os contraceptivos hormonais, no entanto, afetam mais do que apenas o útero e os ovários.

O cérebro controla a sincronização dos níveis hormonais nos ovários. Embora sejam chamados de “hormônios ovarianos”, os receptores de estrogênio e progesterona também estão presentes em todo o cérebro.

O estrogênio, por exemplo, participa de processos de controle da formação de memória e protege o cérebro contra lesões. Já a progesterona ajuda a regular as emoções.

Alterando-se os níveis desses hormônios no cérebro e no corpo, os contraceptivos hormonais podem modular o humor, para melhor ou para pior.

O estrogênio e a progesterona também regulam a reação ao estresse frente aos desafios físicos ou psicológicos.

Ao modificar as reações ao estresse, os contraceptivos hormonais alteram o risco de depressão após situações estressantes, gerando “proteção” contra a depressão para muitas pessoas e “aumento do risco” para uma minoria.

Atualmente, os contraceptivos hormonais são normalmente prescritos por tentativa e erro. Se um tipo causar efeitos colaterais em uma paciente, outro contraceptivo, com dosagem ou formulação diferente, ou outro método de administração, poderá trazer melhores resultados.

Mas este processo de “experimentar para ver” é ineficiente e frustrante. Muitas pessoas acabam desistindo, em vez de tentar uma nova opção.

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