O presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), deputado estadual Roberto Cidade (UB), manifestou preocupação e repúdio à atuação da Polícia Federal e da Força Nacional durante a operação de combate ao garimpo ilegal nos municípios de Humaitá (591 km de Manaus) e Manicoré (350 km) na segunda‑feira (15/9). Segundo ele, os métodos usados nas ações geraram danos inclusive à zona urbana, com disparo de armas de borracha, bombas de efeito moral e civis feridos ou traumatizados.
Cidade afirmou: “Não sou a favor do garimpo ilegal, mas é preciso repudiar uma ação como a que ocorreu em Humaitá e Manicoré. Não é dessa forma que vai se chegar a uma solução. Precisamos encontrar um caminho de diálogo, de construção… Aconteceram coisas que a gente não quer que aconteça. Crianças e adolescentes saíram machucados dessas ações da Polícia Federal. Não é com explosões, com ações truculentas e violência que as coisas vão se resolver.”
Marcas e desdobramentos
Um dia após a operação, ainda era visível em Humaitá e Manicoré os vestígios deixados pela destruição de 71 dragas usadas no garimpo ilegal nas margens do Rio Madeira. Roberto Cidade disse que conversou com os prefeitos de Humaitá, Dedei Lobo, e de Manicoré, Lúcio Flávio, para avaliar a gravidade da situação e buscar ações conjuntas que minimizem os danos.
“Os prefeitos estão preocupados com os desdobramentos e insatisfeitos com a forma truculenta com que ela foi realizada. O clima é de apreensão”, relatou Cidade, que propôs articulações com a bancada federal e deputados estaduais para evitar novas operações com esse nível de agressividade.
Reação da Defensoria Pública
A Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE‑AM) também manifestou-se contra o uso de explosivos para destruir balsas, caracterizando essa prática como violadora de direitos fundamentais. A DPE submeteu um pedido ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) solicitando proibição dessa prática, mas o requerimento foi negado. Mesmo assim, o órgão voltou a reiterar sua solicitação para que essas operações deixem de empregar explosivos, afirmando que a população civil está sendo colocada em risco.
Em nota, a Defensoria alerta para “grave crise humanitária na região” provocada pelo uso de artefatos explosivos e pela violência extrema em ações que afetam povos tradicionais, ribeirinhos e comunidades que dependem do rio e da floresta para viver.
Crítica: violência ou necessidade?
Embora o combate ao garimpo ilegal seja unanimemente considerado necessário, entidades políticas, representantes locais e moradores levantam questionamentos sérios: até que ponto a repressão por meio da força bruta é justificável? Quando a proteção ambiental se choca com direitos humanos, muitos defendem que o excesso deve ser evitado.
A crítica principal é que operações violentas frequentemente geram efeitos colaterais para quem vive na região: crianças, famílias ribeirinhas, até mesmo moradores urbanos próximos. O consenso entre os críticos é de que ações de fiscalização devem vir acompanhadas de ações sociais, diálogo prevencionista e alternativas econômicas, para que a solução contra o garimpo ilegal não se torne o problema de exterminar vidas ou direitos.







