Manaus | 27 de julho de 2026 | 11:45:49

Recados a Trump, ausência de Bolsonaro e elogios a ministros: o 1º dia do julgamento no STF em 4 pontos

Em sua fala inicial, o relator Alexandre de Moraes destacou que o STF não permitirá interferência externa. Declarou que não será “dobrado” por pressões, mencionadas de forma velada, do presidente Donald Trump e de aliados, como Eduardo Bolsonaro, que promoveu sanções contra autoridades brasileiras. Moraes afirmou que “a soberania nacional não pode, não deve e nunca será difamada, negociada ou extorquida” .

  1. A ausência de Jair Bolsonaro

O ex-presidente, principal réu no julgamento, não compareceu à sessão. Sua defesa alegou questões médicas relacionadas a complicações de diversas cirurgias anteriores e informou que Bolsonaro permanece em prisão domiciliar desde 30 de julho . Na sessão, apenas um dos oito réus, o ex-ministro da Defesa Paulo Sérgio Nogueira, fez presença física .

  1. Debate sobre a delação premiada de Mauro Cid

A validade da colaboração da PF por parte de Mauro Cid foi fortemente contestada pelas defesas, que apontaram omissões, versões divergentes ou suposta coação como argumentos para anular o acordo . A PGR, no entanto, defendeu a validade da colaboração, afirmando que mesmo com eventuais contradições, Cid prestou esclarecimentos adicionais e cumpriu os termos previamente pactuados .

  1. Elogios, afagos e momentos “curingas” de sustentações orais

Os advogados das defesas aproveitaram a sustentação oral para tecer cumprimentos inusitados aos ministros. Entre os momentos mais marcantes:

Cezar Bittencourt, advogado de Mauro Cid, chamou o ministro Luiz Fux de “sempre saudoso, sempre presente, sempre amoroso, sempre atraente, como são os cariocas” arrancando risadas na corte .

Já o advogado Demóstenes Torres dedicou longos minutos elogiando todos os ministros, chegando a declarar que, se Bolsonaro precisasse, ele próprio levaria um “cigarro para ele em qualquer lugar” .

Essa estratégia foi interpretada como uma tentativa de suavizar o tom da defesa e evitar confrontos diretos uma tática que, para especialistas, busca reduzir os riscos de antagonizar o tribunal .

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