Uma pesquisa realizada pela Diversidade Jovem do Ensino Social Profissionalizante (Espro) revelou que 41% dos jovens negros no Brasil já foram excluídos de grupos sociais no ambiente de trabalho. Além disso, 38% disseram não ter reconhecimento por suas ideias. O estudo, realizado em parceria com a Diverse Soluções, consultou 3.257 jovens de 14 a 23 anos de todo o Brasil, que são ou já foram atendidos por programas de capacitação profissional e inclusão, como o Jovem Aprendiz e o Programa de Estágio.
O levantamento apontou que 53% dos participantes se identificam como negros (70% pardos e 30% pretos). Dentre os dados alarmantes, 30% afirmaram ter dificuldade de acessar ambientes ou equipamentos no trabalho, 29% relataram já ter sofrido violência verbal, física ou psicológica, e 19% disseram não ter sido considerados para promoções. Além disso, 32% dos jovens negros relataram já ter sido desclassificados de vagas de emprego por conta de suas características individuais.
O estudo também revelou disparidades entre jovens negros e não negros. Enquanto 37% dos jovens não negros disseram já ter se sentido excluídos em ambientes de trabalho, o índice é de 41% entre os jovens negros. Alessandro Saade, superintendente executivo do Espro, afirmou que, embora os jovens negros enfrente desafios de diversidade no cotidiano, muitos percebem o ambiente de trabalho como mais acolhedor, devido a debates e conscientização promovidos pelas empresas.
O estudo também abordou as dificuldades enfrentadas pelas jovens negras LGBTQIAPN+, com 86% relatando situações de preconceito nos serviços públicos e na escola, e 45% no ambiente de trabalho. Beatriz Santa Rita, especialista em diversidade, destacou a importância de oferecer acompanhamento e acolhimento aos jovens negros em seus primeiros passos no mercado de trabalho, além de reforçar as políticas de prevenção e combate à discriminação nas empresas.






