Quase todas as mulheres sentem medo de andar a pé pelas ruas. Esse é o retrato assustador de uma pesquisa recente da Locomotiva realizada a pedido da empresa de transporte 99, que entrevistou 2.750 mulheres das classes C, D e E no Rio de Janeiro, São Paulo e região metropolitana paulista. O levantamento revelou que, de cada cem mulheres, apenas três não temem percorrer trajetos a pé. Assaltos, abusos e discriminação encabeçam a lista de motivos que fazem o simples ato de caminhar se transformar em uma jornada de medo.
O medo de ser assaltada é o principal fator de insegurança para 93% das mulheres entrevistadas, seguido pelo temor de sofrer violência sexual, apontado por 89%. A importunação e o assédio nas ruas também fazem parte da realidade diária de muitas, acrescentando mais uma camada de vulnerabilidade e desconforto. Para as mulheres negras, a situação se agrava, pois além de todos esses fatores, elas ainda enfrentam o racismo e a discriminação.
A pesquisa também destaca a falta de alternativas seguras para muitas dessas mulheres. Para metade delas, caminhar pelas ruas é uma necessidade diária, e duas a cada três enfrentam trajetos que trazem insegurança pelo menos cinco vezes na semana. Além disso, uma em cada cinco mulheres anda mais de uma hora por dia, com 85% realizando esse percurso pela manhã, 75% à tarde, e 47% à noite ou na madrugada, horários de maior risco.
O transporte público, geralmente lotado e com pouca segurança, é a única opção para a maioria dessas mulheres de baixa renda. Enquanto 79% delas se deslocam de ônibus e 69% fazem tudo a pé, apenas uma pequena parcela consegue recorrer a serviços particulares, como carros de aplicativo (44%) e motocicletas (9%). Somente 2% das entrevistadas utilizam bicicletas para se locomover.










