A roda de conversa integra o projeto “Reconstrução Pós-Relacionamento Abusivo” e foi direcionada a mulheres com processos em tramitação no 1.° e no 4.° Juizado Maria da Penha. Segundo Suzy Mary Azedo Guimarães, psicóloga do 1.° Juizado Maria da Penha”, o objetivo do encontro foi oferecer um ambiente seguro de acolhimento e reflexão sobre autoconhecimento, promovendo resiliência, empoderamento e protagonismo feminino. “Cada participante traz uma história marcada por privações e sofrimentos, mas também por uma jornada de superação e busca por autonomia. Algumas relataram como estão desenvolvendo novas habilidades e conquistando maior autonomia em suas vidas,” destacou Suzy.
Áthina Giovanna Pereira de Sousa, estagiária de Psicologia no 1.° Juizado, também avaliou positivamente a experiência. “A roda de conversa proporcionou um espaço para que as participantes pudessem expressar seus sentimentos e vivências. Além disso, abordamos temas sobre autoconhecimento e resiliência, o que enriqueceu ainda mais o diálogo com as experiências pessoais compartilhadas,” observou Áthina.
Histórias de superação
Para as mulheres presentes, o encontro foi uma oportunidade de autoconhecimento e renovação. A. M. S., uma das participantes, compartilhou sua trajetória: “Eu sofri violência psicológica e, quando descobri a traição, a violência verbal começou. Decidi que não queria essa vida para mim e para minhas crianças. No dia em que saí de casa, ele ficou mais violento e quebrou várias coisas. No dia seguinte, fiz o boletim de ocorrência e solicitei a medida protetiva.” A. M. S. viveu um relacionamento abusivo por nove anos.
Outra participante, F. G. D., destacou a importância da troca de experiências. “Participar das reuniões é como uma terapia. Escutar as histórias de outras mulheres e saber que posso compartilhar a minha sem ser julgada me faz sentir mais leve,” afirmou F. G. D., que sofreu agressões físicas e psicológicas durante dois anos de casamento.
Uma terceira participante, que preferiu não se identificar, expressou gratidão pelo apoio recebido: “Aqui, ouvimos muitas histórias de recomeços. Sinto que o Estado me acolheu e protegeu mais do que meus próprios parentes,” comentou.










