Manaus | 5 de setembro de 2026 | 08:55:50

Presidente da Guiana vê declarações de Maduro como ‘uma ameaça direta’

Irfaan Alí rejeitou as medidas anunciadas pelo presidente venezuelano, como proposta de lei para criar província de Essequibo e que petrolífera estatal PDVSA entregue licenças de exploração na região.

O presidente da Guiana, Irfaan Alí, garantiu nesta terça-feira que as declarações do seu homólogo venezuelano, Nicolás Maduro, constituem uma “ameaça direta” contra o seu país, e rejeitou as medidas anunciadas pelo presidente venezuelano no território que reivindica de Georgetown.

“Esta é uma ameaça direta à integridade territorial, à soberania e à independência política da Guiana”, disse Ali depois de Maduro ter ordenado à petrolífera estatal PDVSA que entregasse licenças de exploração na região de Essequibo, área disputada com a Guiana e que é administrada por Georgetown.

Que procedamos “à criação da divisão PDVSA-Essequibo” e que “procedamos imediatamente à concessão de licenças de operação para a operação e exploração de petróleo, gás e minas em toda a área”, disse Maduro nesta terça-feira em reunião com o alto escalão do governo para anunciar uma série de medidas para “recuperar” Essequibo.

Ali anunciou que nesta quarta-feira levará “o assunto ao Conselho de Segurança das Nações Unidas para que esse órgão possa tomar as medidas adequadas”.

Informou também que contatou o Secretário-Geral da ONUAntónio Guterres, e o Comando Sul dos Estados Unidos para informá-los do sucedido.

“Não permitiremos que o nosso território seja violado, nem que o desenvolvimento do nosso país seja prejudicado por esta ameaça desesperada”, disse Ali.

O governo venezuelano pretende implementar um conjunto de ações para “recuperar” Essequibo depois do referendo do último domingo, em que a população foi questionada se Caracas deveria continuar com a sua reivindicação sobre a região disputada.

Mais de 10,4 milhões de eleitores participaram da consulta e mais de 95% concordaram que Essequibo se tornaria mais uma província da Venezuela, resultado que não altera em nada a disputa que ambos os países têm na CIJ sobre a região, cuja jurisdição Caracas rejeita.

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